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Política
NOTÍCIA

ANJ, ABI E OAB criticam ameaça de Bolsonaro a repórter do Globo; veja repercussão

Após ser questionado pelo jornalista sobre repasses de R$ 89 mil feitos por Fabrício Queiroz à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, presidente disse: "Vontade de encher sua boca de porrada"

Gabriela Feitosa
09:11 | 24/08/2020
Presidente Jair Bolsonaro e a primeira dama, Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)
Presidente Jair Bolsonaro e a primeira dama, Michelle Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

 

Após o presidente da república, Jair Bolsonaro, ameaçar jornalista com a frase "Vontade de encher sua boca de porrada", entidades jornalísticas, sociais e direitos humanos repercutiram caso.

Entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de partidos políticos, teceram críticas ao presidente. No Twitter, jornalistas, artistas, políticos e outros usuários repetiram a pergunta feita pelo jornalista de O Globo ao presidente Jair Bolsonaro na tarde do domingo, 23. A frase "Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?", acompanhada da hashtag #RespondeBolsonaro, começou a ser compartilhada por jornalistas na rede social.


Em nota enviada ao O Globo, o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech classificou o ataque como "lamentável". "É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição", afirmou o presidente.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se manifestou. Conforme O Globo, Felipe Santa Cruz manifestou solidariedade ao jornalista e ao jornal. "O presidente vinha muito bem nas últimas semanas. Com sua moderação, vinha contribuindo para a pacificação do debate público. Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas. Nossa solidariedade ao jornalista ofendido e ao jornal que o emprega", afirmou o presidente da OAB.

Por último, Paulo Jeronimo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), afirmou que Bolsonaro "choca o país com seu comportamento grosseiro" e manifestou solidariedade ao jornalista. "Tal comportamento mostra não apenas uma inaceitável falta de educação. É, também, uma tentativa de intimidação da imprensa, buscando impedir questionamentos incômodos. A ABI se solidariza com o profissional atingido e reafirma que a pergunta feita ao presidente era pertinente e de interesse público. Por fim, lembra ao primeiro mandatário do país que o cargo que ocupa exige maior decoro", disse.

Em uma nota conjunta, as entidades Abraji, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras se solidarizam com o repórter e condenaram "mais um episódio violento protagonizado por Jair Bolsonaro, cuja reação, ao ouvir uma pergunta incisiva, foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática. Um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias", escreveram.

Partidos também repercutiram o assunto. O PSDB afirmou que Bolsonaro "volta a mostrar apreço por posturas agressivas e antidemocráticas". "Desrespeita a liberdade de imprensa, em atitude que não condiz com o cargo que ocupa. Agindo assim, não nega apenas uma resposta ao jornalista; nega também a informação transparente aos brasileiros", diz o comunicado.

O MDB afirmou que Bolsonaro "precisa se retratar". "O MDB defende a liberdade de imprensa e o respeito aos jornalistas profissionais", disse o partido, em nota.

O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), afirmou ver crimes de responsabilidade na ação de Bolsonaro hoje e disse que acrescentará esses crimes ao pedido de impeachment apresentado pelo PSB contra o presidente. "Bolsonaro cometeu hoje mais dois crimes de responsabilidade: contra o livre exercício de direitos individuais e contra a probidade na administração. Além disso, cometeu os crimes de injúria e de ameaça", disse Molon.

O deputado Arnaldo Jardim (SP), líder do Cidadania na Câmara, classificou a atitude do presidente como "totalmente inapropriada" e "lamentável". “Postura totalmente inapropriada para um presidente da República. Também revela sua intolerância e desrespeito com a imprensa. As palavras de Bolsonaro constituem verdadeira ameaça à atividade jornalística. Lamentável tal atitude". As informações são do jornal O Globo, portal UOL e Agência Estado.

Nota do jornal O Globo sobre o ataque do presidente Jair Bolsonaro a um de seus repórteres

O Globo também repudiou o ataque de Bolsonaro a um de seus repórteres. Jornal publicou nota afirmando que a intimidação mostra que Jair Bolsonaro " desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população".

Leia na íntegra:

"O Globo repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função, de forma totalmente profissional, neste domingo.

Em cobertura de compromisso público do presidente, o repórter solicitou que ele se pronunciasse sobre reportagens da revista Crusoé e do jornal Folha de S.Paulo que, no início deste mês, informaram que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz e a mulher dele depositaram cheques no valor de R$ 89 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Anteriormente, o presidente havia prestado uma informação diferente sobre os valores.

Bolsonaro, então, em manifestação que foi gravada, não respondeu à pergunta e afirmou a vontade de agredir fisicamente o repórter.

Tal intimidação mostra que Jair Bolsonaro desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população.

Durante os governos de todos os presidentes, o GLOBO não se furtou a fazer as perguntas necessárias para cumprir o papel maior da imprensa, que é informar os cidadãos. E continuará a fazer as perguntas que precisarem ser feitas, neste e em todos os governos.

VEJA AQUI MOMENTO DO ATAQUE