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Política
NOTÍCIA

Alckmin se torna réu em investigação que apura fraudes eleitorais de R$ 11,3 milhões

Decisão ocorreu nesta quinta-feira, 30, após a Justiça Eleitoral de São Paulo aceitar denúncia e abertura de processo contra o ex-governador

Alan Magno
22:48 | 30/07/2020
Justiça Eleitoral aceita denúncia do Ministério Público de São Paulo e Alckmin se torna réu por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e caixa 2 (Foto: Miguel Schincariol/AFP)
Justiça Eleitoral aceita denúncia do Ministério Público de São Paulo e Alckmin se torna réu por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e caixa 2 (Foto: Miguel Schincariol/AFP)

Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo (SP), se tornou réu em processo de investigação de fraudes eleitorais nesta quinta-feira, 30. Caso se oficializa após a Justiça Eleitoral do estado de SP aceitar denúncia e abertura de processo para apurar casos de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e caixa dois durante as eleições de 2010 e 2014. Os repasses ilegais teriam sido feitos pela construtora Odebrecht num total de R$ 11,3 milhões. Alckmin já havia sido indiciado pelos mesmos crimes pela Polícia Federal no dia 16 de julho. 

Medida ocorre após recomendação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) expedida na última quinta-feira, 23. A investigação foi aceita em decisão da primeira zona eleitoral de SP. No despacho confirmando a abertura do processo foi argumentado que o MP-SP elencou indícios concretos o suficiente para que Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho se tornasse réu na investigação.

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Na investigação, são apurados dois repasses feitos pela Odebrecht. O primeiro teria sido feito em espécie no valor de R$ 2 milhões, no ano de 2010 quando Alckmin disputou a gestão estadual de São Paulo. Quatro anos depois, um novo repasse foi feito, dessa vez com valor ainda maior, R$ 9,3 milhões, para que Alckmin disputasse novamente o pleito. Em ambos os anos ele venceu as eleições.

O objetivo da construtora seria obter vantagens em licitações durante a gestão do réu. Segundo divulgou o MP-SP, a investigação é fruto de 77 acordos de colaboração premiada firmados por executivos e funcionários do Grupo Odebrecht com a Procuradoria-Geral da República. A entidade frisou que todos os acordos foram homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Processo conta ainda com parceria da Polícia Federal, por meio de um desdobramento da operação Lava Jato, destinado a investigar crimes de corrupção no âmbito eleitoral. Além de Alckmin outras nove pessoas estão sendo investigadas pelos mesmos crimes, no mesmo processo.

Dentre os investigados, estão: seis ex-membros da Odebrecht, um dos ex-assessores de Alckmin e o ex-tesoureiro do PSDB durante entre 2010 e 2014, partido pelo qual o ex-governador de São Paulo assumiu o comando do Estado. Desde o início das investigações, a defesa do ex-governador afirma que ele é inocente. 

O cunhado do ex-governador de SP, Adhemar César Ribeiro, é apontado como intermediário entre Alckmin e a Odebrecht, mas a Justiça considerou que seus crimes foram prescritos levando em consideração a idade de Adhemar. Não foi formalizado um processo de investigação contra ele.