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Collor se manifesta contra impeachment de Bolsonaro e afirma que Ciro é candidato favorito para as eleições 2022

Em entrevista à Rádio O POVO/CBN e CBN/Cariri, o senador também comentou a declaração do ex-ministro da Fazenda, Delfin Neto, de que o Partido dos Trabalhadores teria traído Ciro Gomes

Ismia Kariny
14:53 | 23/07/2020

 

Ciro Gomes (PDT-CE) foi cotado como um dos candidatos favoritos à eleição para presidência, em 2022, pelo atual senador e ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello (PROS-AL). Em entrevista à Rádio O POVO/CBN, na manhã desta quinta-feira, 23, ele recordou a boa convivência que teve com Ciro e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ambos foram governadores do Ceará na época em que Collor assumia a presidência do Brasil.

“Mantivemos uma relação cordial e proveitosa nas relações institucionais”, disse sobre o pedetista, pouco antes de reconhecer Ciro como um candidato excelente para as eleições de 2022. “É um excelente candidato, sem dúvidas nenhuma. Já disputou algumas vezes a eleição presidencial e sempre teve uma boa performance nessas disputas. É um nome que pontifica, sim, como um dos favoritos a candidatura à presidência em 2022”, continuou. Ciro Gomes e Collor, entretanto, já protagonizaram momentos de conflitos.

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O pedetista chegou a ser processado por ofensas proferidas em 1999 contra Collor. A Justiça determinou uma indenização no valor de R$ 100 mil, que Ciro Gomes teria que pagar para o ex-presidente. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a quantia para R$ 60 mil. Questionado se havia recebido o valor da indenização, Collor afirmou que se trata de um assunto do passado: “Está equacionado, nas mãos da Justiça".

Collor também comentou a declaração do ex-ministro da Fazenda, Delfin Neto, de que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria traído Ciro Gomes e possibilitado a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, ao colocar Haddah como candidato à presidência. “Pelo que me é dado a conhecer, realmente houve esse entendimento lá atrás, de que o candidato a presidente, se apoiado pelo PT, seria o Ciro Gomes, e que teria como vice o então ex-prefeito Haddad, e que esse acordo não foi cumprido”, disse ele.

Esquerda

Segundo a avaliação de Collor, se há “alguma lógica na política”, os partidos de esquerda devem se unir para encontrar um candidato em comum nas próximas eleições, daqui a dois anos. “A lógica determina que os que estão militando no mesmo campo ideológico estejam unidos para enfrentar uma grande batalha, que é essa da sucessão presidencial”, sustentou.

Também na entrevista à rádio O POVO CBN e CBN Cariri, o senador se manifestou contra o impeachment de Jair Bolsonaro. Para Collor, as dezenas de solicitações para a deposição do presidente demonstram a banalização do instrumento democrático.

“No momento de uma pandemia, tratar de uma questão como o impeachment de um presidente é maximizar ainda mais a crise que nós estamos vivenciando, porque a crise política e o conflito institucional já estão instalados”, frisou. Ele complementa que, desde que o presidente mantenha a trégua com os poderes, as condições para um conflito institucional serão reduzidas.