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Política
NOTÍCIA

Bolsonaro sobre Moro: "Graças a Deus ficamos livres dele"

Segundo o G1, o presidente afirmou ainda que Moro foi "covarde" durante a reunião interministerial do dia 22 de abril. Moro rebateu declarações do presidente em nota oficial

13:32 | 01/06/2020
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Foto: EVARISTO SA / AFP)
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Foto: EVARISTO SA / AFP)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse para apoiadores nesta segunda-feira, 1º, que "graças a Deus" o governo ficou "livre" do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O ex-juiz pediu demissão em abril e deixou o cargo acusando o presidente de interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo o G1, Bolsonaro afirmou ainda que Moro foi "covarde" durante a reunião interministerial do dia 22 de abril.

Bolsonaro mencionou o fato de que, na opinião dele, Moro estava tomando atitudes que contrariavam a ideologia do governo. Ele citou como exemplo a portaria, assinada pelo então ministro, que previa detenção de pessoas que não cumprissem regras de isolamento social.

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"Por isso que naquela reunião secreta o Moro, de forma covarde, ficou calado. Então é isso que estava acontecendo. Ele queria ainda uma portaria depois que multasse quem estivesse na rua. Esse era o cara que estava lá perfeitamente alinhado com outra ideologia que não era a nossa. Graças a Deus ficamos livre dele", afirmou o presidente.

A reunião interministerial citada por Bolsonaro ocorreu dois dias antes de Moro pedir demissão do governo. O ex-ministro apontou o conteúdo da reunião como prova de que Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal.

A gravação do encontro foi tornada pública pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga a denúncia de Moro. O vídeo mostra que Moro ficou calado a maior parte do tempo, enquanto Bolsonaro e outros ministros fazem ataques à imprensa, a outros poderes da República e a governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social contra a pandemia do coronavírus.

De acordo com o portal UOL, Bolsonaro ainda voltou a defender nesta segunda-feira, 1º, a flexibilização de posse de armas legal. "Arma legal não é para cometer crimes, mas para evitar crimes. Vagabundagem que sempre é defendida pela mídia tem arma ilegal. Tanto que a campanha do desarmamento nunca foi para cima de quem tinha arma ilegal, mas para cima do cidadão de bem. E naquela reunião reservada que foi classificada como secreta, não falei que o povo armado jamais será escravizado? O povo armado de forma legal", defendeu o presidente.

Moro publica nota oficial em resposta a Bolsonaro

Em resposta ao presidente, Moro divulgou em sua conta no Twitter uma nota oficial. O ex-ministro disse que quem parte para "ofensa pessoal" não tem "razão ou argumentos".

O ex-ministro da Justiça explicou também o motivo de ter editado a portaria que previa regras no cumprimento do isolamento social durante a pandemia, entre elas a possibilidade de detenção de quem desobedecesse a ordem de não sair às ruas.

"[A portaria] apenas esclarecia a legislação e deixava muito claro que a prisão era medida muito excepcional e dirigida principalmente aquele que, ciente de estar infectado, não cumpria isolamento ou quarentena", escreveu Moro.

O texto havia sido assinado por Moro e por Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde. Na semana passada, foi revogado pelos sucessores de ambos nas pastas, André Luiz Mendonça (Justiça) e Eduardo Pazuello (Saúde)

Moro também afirmou que medidas de flexibilização de posse e porte de armas podem ser discutidas, "mas não se pode pretender, como desejava o presidente, que sejam utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por governadores e prefeitos".