PUBLICIDADE
Política
NOTÍCIA

Bolsonaro faz sobrevoo de helicóptero na Esplanada para ver manifestação e cumprimenta apoiadores

Pouco antes de se dirigir para o ato, Bolsonaro publicou em uma rede social a reprodução de uma imagem sobre a Lei de Abuso de Autoridade. O ato provocou aglomeração, e muitas pessoas estavam sem máscara, contrariando as orientações das autoridades de saúde em meio à pandemia

15:58 | 24/05/2020
Bolsonaro cumprimenta apoiadores (Foto: Evaristo Sá/AFP)
Bolsonaro cumprimenta apoiadores (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Dois dias após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro foi ao encontro de apoiadores neste domingo, 24, em um ato esvaziado em frente ao Palácio do Planalto. Com a direito a chegada de helicóptero e caminhada pela via em frente à Praça dos Três Poderes, Bolsonaro ficou meia hora no local e por seis vezes percorreu a grade de segurança para cumprimentar os manifestantes.

O chefe do Executivo optou por ir voando da residência oficial até o Palácio do Planalto, um trajeto que de carro dura cerca de cinco minutos. Antes de pousar em uma aérea próxima a vice-presidência, o presidente sobrevoou três vezes a área onde os manifestantes estavam. Imagens aéreas publicadas nas redes sociais do próprio presidente mostram um público reduzido.

Acompanhado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), Bolsonaro foi andando até a grade que cercava os manifestantes. O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) também acompanharam a aparição no ato.

Acenando e sem máscara de proteção, que agora é de uso obrigatório em Brasília, Bolsonaro deu seis voltas em frente à grade onde os apoiadores estavam. Cercado por seguranças, parou para cumprimentar as pessoas e tirar fotos. Chegou ainda a pegar uma criança no colo.

Os apoiadores seguravam cartazes com frases como "Supremo é o Povo" e "o Poder emana do povo" e "o povo é Bolsonaro". De forma isolada, alguns manifestantes exibiram cartazes contra o Supremo Tribunal Federal e a imprensa. "Abaixo a ditadura do STF", dizia um dos cartazes. Em outro, frase classificava a imprensa como "inimiga". A presença de frases de tom antidemocrático contraria orientação da semana passada, em que em outro ato Bolsonaro fez chegar a lideranças do protesto pedido para não exibir faixas contra o STF e o Congresso.

Manifestantes puxaram coros de apoio e foram acompanhados por Bolsonaro quando cantaram "Eu sou brasileiro com muito orgulho". Uma caixa de som segurada por um apoiador reproduziu o hino nacional e também trechos da fala de Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril.

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada pouco antes do meio-dia de helicóptero e fez um sobrevoo pela Esplanada dos Ministérios, onde acontecia mais uma manifestação pró-governo. O ato foi programado pelas redes sociais.

Muitos carros ocuparam as seis faixas da Esplanada, com manifestantes de verde e amarelo em frente ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro postou um vídeo de dentro do helicóptero, mostrando a movimentação no local. "Brasília agora. Ordem e progresso", postou o presidente.

Depois que pousou na área da Vice-presidência do Palácio, Bolsonaro veio caminhando pela pista acenando para os manifestantes que, vestidos de verde e amarelo e com faixas e bandeiras do Brasil, estavam separados do presidente apenas por uma grade.

Bolsonaro ficou na manifestação por quase uma hora. Ele chegou de máscara, mas depois retirou e continuou sem usá-la, nem qualquer equipamento de proteção individual, mas era escoltado por seguranças que se protegiam com máscaras no rosto. Havia manifestantes com e sem máscaras na aglomeração, contrariando as orientações das autoridades de saúde em meio à pandemia do novo coronavírus.

O presidente apertou as mãos de apoiadores e chegou a abraçar os manifestantes. Em pelo menos dois momentos também carregou crianças no colo.

Em seguida, Bolsonaro voltou ao Palácio da Alvorada sem falar com a imprensa.

Decreto do governo do Distrito Federal estabelece que pessoa física que desrespeitar as regras de isolamento social pode ser advertida, sofrer multa e ser enquadrada no crime de infração de medida sanitária preventiva.

Há outro decreto do governo local que prevê multa de R$ 2 mil para quem descumprir a regra de uso de máscara em locais públicos. Em caso de reincidência, conforme o decreto, o valor passa a R$ 4 mil.

Bolsonaro tem ido a manifestações pró-governo todos os fins de semana. Em todas as ocasiões, costuma contrariar as orientações das autoridades de saúde, ora não usando máscara, ora cumprimentando apoiadores e participando de aglomerações.

Após divulgação de vídeo e mensagens, Bolsonaro publica trecho de lei de abuso

Pouco antes de se dirigir para o ato, Bolsonaro publicou em uma rede social a reprodução de uma imagem sobre a Lei de Abuso de Autoridade.

 


Ele compartilhou o artigo 28, em que se lê: "Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou imagem do investigado ou acusado", diz o trecho. "Pena - detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos".

A publicação do presidente ocorre dois dias depois de o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo do vídeo da reunião ministerial que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro usa como prova de que o presidente teria tentado interferir na Polícia Federal.

> "A verdade foi dita, exposta", diz Moro sobre vídeo de reunião

No sábado, o Estadão mostrou que as mensagens trocadas entre Bolsonaro e Moro evidenciam que o presidente falava da Polícia Federal, e não da sua segurança pessoal, como tem alegado. O presidente decidiu que o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seria demitido, sem dar ao ministro qualquer alternativa. "Moro, Valeixo sai esta semana", escreveu o presidente. "Está decidido", continuou ele, em outra mensagem enviada na sequência. "Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio" (sic).

O vídeo da reunião está ligado à investigação que apura a tentativa de interferência para obter informações sobre investigações que pudessem prejudicar seu núcleo familiar. As trocas no comando da corporação e na superintendência do Rio de Janeiro levaram ao pedido de demissão de Moro, que revelou intenção do presidente em indicar delegados mais próximos para os cargos de comando da corporação.

A reunião também foi marcada por palavrões, briga de ministros, anúncio de distribuição de cargos para o Centrão e ameaça de demissão generalizada a quem não adotasse a defesa das pautas do governo.

LEIA TAMBÉM | Autoridades e entidades reagem a ato antidemocrático em Brasília assistido por Bolsonaro