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Em reunião ministerial, Bolsonaro revela ter sistema particular de informações que "funciona"

O presidente Jair Bolsonaro explicou que o sistema de informação citado por ele na reunião consiste em uma série de contatos particulares

22:30 | 22/05/2020
Bolsonaro durante a reunião (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Bolsonaro durante a reunião (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Durante vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, que veio à tona nesta sexta-feira, 22, o presidente Jair Bolsonaro fez reclamações sobre não ter acesso à informação de órgãos de inteligência e revelou que possui um sistema particular de informações. "Sistema de informações, o meu funciona. O meu particular funciona", frisou.

Bolsonaro reclamou que "os [sistemas] que têm oficialmente desinforma" e continuou: "E voltando ao tema, prefiro não ter informações a ser desinformado em cima de informações que não tenho". Trechos do encontro com os ministros foi divulgado no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta interferência do chefe de Estado na Polícia Federal (PF).

O presidente afirma ainda que a nem a PF e nem a inteligência das Forças Armadas dão informações a ele e disse ainda que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) "tem os seus problemas".

Em entrevista à rádio Jovem Pan na noite desta sexta-feira, após a repercussão dos vídeos, Bolsonaro explicou que o sistema de informação citado por ele consiste em uma série de contatos particulares. "O que é meu serviço de informações particular? É o sargento do batalhão do Bope do Rio de Janeiro, é o capitão do grupo de artilharia lá de Fortaleza, é o policial civil que tá em Manaus, é meu amigo que tá na reserva e me traz informação da fronteira. Este é meu serviço de informação particular que funciona melhor do que este que eu tenho oficialmente, que não traz informação. Esta sempre foi a minha crítica. Este problema, temos aqui o aparelhamento de instituições e não é fácil mudar isso aí."

Confira transcrição na íntegra de trecho em que Bolsonaro reclama de falta de informações:

"Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá comentando? Tem que ver para depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referência a Nações amigas] Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso —todos— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade".