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Política
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Família de Marielle pede que federalização da investigação seja suspensa

Pedido é por adiamento da apreciação do caso até o fim das investigações sobre a acusação de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal

18:53 | 19/05/2020
13 de março de 2020, Foto reprodução da ex-vereadora e sociologa, Marielle Franco. (Foto Reprodução Wikipedia)
13 de março de 2020, Foto reprodução da ex-vereadora e sociologa, Marielle Franco. (Foto Reprodução Wikipedia) (Foto: Reprodução)
O Instituto Marielle Franco e a Coalizão Negra por Direitos enviaram à ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedido de suspensão condicional do processo que trata da federalização das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. As entidades pedem que apreciação do caso, que está prevista para o próximo dia 27, seja adiada até o fim das investigações sobre suposta interferência política do presidente da República, Jair Bolsonaro, na Polícia Federal.
Na avaliação do Instituto e da Coalizão, a resolução do inquérito que corre junto ao Supremo Tribunal Federal é "fundamental" para que se prossiga com a análise da federalização do caso Marielle.
Segundo as entidades, com a eventual transferência das investigações para o nível federal, "a disposição presidencial para interferência na ação da Polícia Federal pode reverberar na resolução ou não do caso, comprometendo as investigações até então realizadas".
Nesta terça-feira, 19, os familiares de Marielle e Anderson também enviaram carta aos ministros do STJ reiterando a posicionamento contrario a tirar as investigações das mãos da Polícia Civil e manda-las para a Polícia Federal.
"Senhoras e senhores Ministros, nesse cenário de incertezas e denúncias graves de interferência na Polícia Federal, nossas famílias não podem aceitar que as investigações dos assassinatos de Marielle e Anderson sejam federalizadas. Entendemos que a federalização, neste momento, é um caminho muito mais próximo da impunidade que da conclusão isenta das investigações", afirmam no texto.
A federalização do caso foi solicitada em 2018 pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que denunciou o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio, Domingos Brazão. O caso foi resultado de uma "investigação da investigação" feita pela Polícia Federal para apurar se a Polícia Civil do Rio de Janeiro estava obstruindo a elucidação do caso.
Segundo ministros ouvidos reservadamente pelo Estadão, a tendência é que o pedido para tirar as investigações do Rio será rejeitado.
O posicionamento pela não federalização do caso também foi adotado pela Advocacia-Geral da União (AGU) do governo Bolsonaro e pelo ex-ministro Sergio Moro, quem apesar de inicialmente apoiar levar o caso para a PF, mudou de ideia e defendeu a manutenção do caso no Rio.
Em parecer, a AGU afirma que o fato dos familiares da ex-vereadora serem contrários à federalização "deve ser considerado e prestigiado pelo STJ".