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Política
NOTÍCIA

Em carta, governo brasileiro diz à ONU que Polícia Federal considera Glenn Greenwald inocente no caso Vaza Jato

A carta é uma resposta a uma cobrança realizada por relatores internacionais da Organização das Nações Unidas

Alan Magno
13:58 | 28/04/2020
Jornalista Glenn Greenwald
Jornalista Glenn Greenwald (Foto: Rodrigues Pozzebom/ABR)

Em carta oficial, representantes do Governo Federal confirmaram à Organização das Nações Unidas (ONU) que a Polícia Federal não encontrou evidências que configurassem crime por parte do jornalista Glenn Greenwald na atuação da série de reportagens “Vaza Jato”. O documento foi escrito e enviado ao órgão internacional no dia 7 de abril, enquanto Sergio Moro ainda era ministro da Justiça. As informações do jornalista do UOL, Jamil Chade.

O material divulgado por Glenn no site Intercept expunha diálogos entre os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro, apontando ilegalidades, falta de parcialidade e o conluio entre as partes na atuação das decisões judiciais das condenações da operação Lava-Jato. Com a repercussão internacional do caso, o especialista sobre direito à liberdade de expressão, David Kaye, havia enviado, para ONU, uma queixa ao governo brasileiro em 4 de fevereiro. Ele alertava para os ataques e pressões contra o jornalista e pedia esclarecimentos.

No documento, o governo brasileiro afirma que as informações obtidas por Glenn foram fruto de milhares de invasões e violações de direitos e portanto seriam ilícitas, bem como sua divulgação, a qual teria afetado, “autoridades públicas dos três poderes da República”. A carta continua afirmando que não foi atribuído à Glenn qualquer tipo de responsabilidade criminal durante as investigações. O texto afirma que a PF considerou que o jornalista não possuía qualquer envolvimento nos crimes investigados no caso. “Motivo pelo qual não o indiciou e tampouco adotou qualquer medida persecutória em seu desfavor”, completa o documento.

A carta declara, internacionalmente, Glenn como inocente, porém, parte da cobrança internacional dizia respeito a pressões feitas pelo governo contra o jornalista, violando o direito de liberdade de imprensa. Sobre essa questão o posicionamento do governo é de afirmar que desconhecia qualquer pressão ou coerção no âmbito das investigações quanto ao jornalista, sua liberdade de expressão ou de exercício da profissão. “não se tem notícias de nenhum ato ou procedimento que caracterize, ainda que em tese, qualquer violação a direitos dos jornalistas Glenn Greenwald”, completa o texto oficial.