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Política
NOTÍCIA

De direita, jornalista dos EUA mostra preocupação sobre ameaças de Bolsonaro a Glenn Greenwald

"Eu nem sempre concordo com Glenn Greenwald, mas, no fim das contas, precisamos dele", Tucker Carlson

21:45 | 31/07/2019
"Eu nem sempre concordo com Glenn Greenwald, mas, no fim das contas, precisamos dele", Tucker Carlson (Foto: Reprodução / Fox News Channel )

Apresentador e comentarista de política norte-americano, o jornalista Tucker Carlson gravou vídeo em solidariedade ao colega de profissão Glenn Greenwald, durante telejornal do canal Fox News. Dizendo estar preocupado com as recentes ameaças do presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra o editor do site The Intercept Brasil, Carlson é conhecido por opiniões polêmicas alinhadas à direita do espectro político.

Durante um comentário, Carlson enfatizou discordar das visões políticas de Glenn, mas que sempre “respeitou a integridade dele”. “Tenho acompanhado com bastante preocupação as ameaças do governo brasileiro de punir ou prender o jornalista Glenn Greenwald, por suas reportagens sobre autoridades de alto nível”, disse.

Glenn é editor do The Intercept Brasil e tem publicado série de reportagens sobre conversas vazadas entre o então juiz federal Sério Moro com procuradores da Operação Lava Jato. Nos textos, o site sugere ter havido conluio entre entes julgador e acusador. Por causa das matérias, intituladas de Vaza Jato, Moro chegou a ser convocado a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Atualmente ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro publicou na última sexta-feira, 26, portaria que regulamenta artigos da Lei de Migração, que diz respeito a entrada e a deportação de estrangeiros criminosos no Brasil. O ex-juiz defendeu que a portaria diz respeito a "pessoas envolvidas em condutas criminais especificadas em lei, como terrorismo e tráfico de drogas".

Dias antes, na terça-feira, 23, a Polícia Federal prendeu quatro suspeitos de terem hackeado o celular do ministro. Um deles, Walter Delgatti Neto, alegou ter repassado os dados de Moro de forma anônima e não remunerada a Glenn Greenwald.

Na mesma linha, Bolsonaro diz que, no seu entender, Glenn Greenwald teria cometido crime ao publicar as conversas entre o então juiz com os procuradores. “Talvez ele (Greenwald) pegue uma cana aqui no Brasil", declarou o presidente, que afirmou ainda que Glenn estaria cometendo crime ao não revelar a origem do vazamento das conversas.

O artigo 5º da Constituição Federal, porém, estabelece que "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".

Em meio a todo esse contexto, o jornalista americano Tucker Carlson afirmou estar acompanhando o caso com “preocupação”. “Preservar a liberdade de imprensa não tem nada a ver com partido. Não importa se você é de direita, de esquerda, ou se está em algum lugar no centro. Não importa nem se você acredita ou não na democracia. Todo mundo deveria querer viver numa sociedade com uma imprensa livre. Um lugar onde jornalistas têm a liberdade de informar a população sem medo ou perseguições”, defendeu.

Ainda segundo Carlson: “Sem fiscalização, pessoas poderosas irão abusar de seu poder. Isso é sempre verdade, é da natureza humana. Nenhum país pode continuar livre sem uma imprensa livre. Obviamente a população está muito polarizada agora. Isso é verdade nos Estados Unidos e parece ser verdade no Brasil, mas a melhor forma de resolver essas diferenças é através do debate. Essa é a verdade saudável.

O que não é saudável, o que é perigoso para todos nós, sempre, em qualquer lugar, é permitir que autoridades possam sufocar as notícias que eles não gostam. Com certeza eu entendo porque as pessoas nem sempre concordam com o Glenn Greenwald. De novo: eu nem sempre concordo com ele. Mas, no fim das contas, precisamos dele.”

Enfatizando discordar das opiniões, o apresentador da Fox News disse “admirar” o jornalismo praticado por Glenn – responsável por reportagens que revelaram que a Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla inglês) espionava tanto líderes mundiais quanto cidadãos americanos sem autorização da Justiça. “Fico feliz que todos saibamos disso, graças ao Glenn”, completou.