PUBLICIDADE
Política
NOTÍCIA

Sérgio Machado se torna réu na Lava Jato por esquema de corrupção na Transpetro

A denúncia, feita pelo Ministério Público Federal (MPF), foi aceita pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no dia 11 de junho.

20:53 | 18/07/2019
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro(Foto: Gabriel Gonçalves/O POVO)

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, se tornou réu na Lava Jato, acusado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Romero Jucá (MDB), ex-senador, também está sendo acusado pelo mesmo motivo. As informações são do G1.

A denúncia, feita pelo Ministério Público Federal (MPF), foi aceita pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no dia 11 de junho. Segundo a denúncia, há envolvimento dos réus em esquema de corrupção na Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Ainda de acordo com denúncia, houve um pedido de pagamento de R$ 22,4 milhões à empreiteira Galvão Engenharia, por parte de Sérgio Machado e Romero Jucá. Esse pedido seria referente aos 5% de contratos e aditivos combinados com a Transpetro.

Além disso, em 2010 teriam sido feitos pagamentos de ao menos R$ 1 milhão a Romero Jucá. Na época, a defesa do ex-senador alegou "absoluta falta de cuidado técnico por parte do MP". Para a defesa de Sérgio Machado, a acusação já era esperada.

Já defesa de Romero Jucá alega que a denúncia trata de questões ligadas ao setor eleitoral, e que por isso deveria ter sido feita junto à Justiça Eleitoral. Confira nota da defesa de Romero Jucá na íntegra:

"Quando do oferecimento da denúncia, em 3 de Junho, a defesa do ex-senador Romero Jucá apresentou nota esclarecendo que vinha a público consignar a absoluta falta cuidado técnico por parte do MP na recente denúncia, ali apresentada, em que o MPF teve a ousadia de apresentar o Sr Sergio Machado como uma pessoa séria e que supostamente falaria em nome do ex-senador Jucá.

Ora o Senhor Sergio Machado já deu inúmeras provas nos últimos tempos de que sua palavra não tem nenhuma credibilidade, sendo que já houve até pedido de perda dos benefícios de sua delação por entender a autoridade policial que ele não dizia a verdade na delação.

Acreditar a essa altura que o Senhor Sergio Machado tinha tal posição e proximidade com o ex-senador só pode ser imputado a essa sanha punitiva que tem desmoralizado o trabalho da Operação Lava Jato nos últimos tempos.

Ademais, afirmar que a contrapartida para a fantasiosa corrupção teria sido a indicação deste senhor para o cargo de presidente da Transpetro é , mais uma vez, uma tentativa de criminalizar a política, tarefa a que os membros da força tarefa se empenharam com vigor e que é um dos motivos da canibalização das estruturas políticas que levaram o Brasil a enfrentar esta quadra difícil, deprimente e punitiva.

Além disso, vale consignar que mesmo aceitando o raciocínio do MP, que é não verdadeiro, em respeito à decisão recente do STF, esta denúncia deveria ter sido oferecida junto à Justiça Eleitoral, pois se trata de imputações referentes à área eleitoral.

A Defesa se reserva o direito de fazer os questionamentos técnicos no processo reiterando a absoluta confiança no Poder Judiciário e lamentando, mais uma vez, a ânsia abusiva de poder por parte do Ministério Público.

Na data de hoje, a imprensa noticia o recebimento da Denúncia, ou seja o início da Ação Penal. Infelizmente, no sistema processual brasileiro, o recebimento é um ato quase mecânico, feito sem que o acusado tenha oferecido suas razões.

No caso concreto o ex-senador Romero Juca sequer foi ouvido e a defesa técnica não pode se manifestar, sequer sobre a competência da Justiça Eleitoral, o que será feito oportunamente.

A Defesa técnica lamenta, mais uma vez, o fato de ter sido levado em consideração para a denúncia um depoimento de um delator absolutamente sem credibilidade, principalmente neste momento em que cada vez mais as 'estranhezas' sobre as delações na Operação Lava Jato afloram, mas reafirma a tranquilidade no direito do ex-senador e reitera a plena confiança no Judiciário que certamente será imparcial e justo".

Redação O POVO Online