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Alvo de buscas, Aloysio Nunes se demite do governo Doria

21:44 | 19/02/2019
Horas depois de ser alvo da Operação Ad Infinitum, a 60.ª fase da Lava Jato, o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira pediu ontem demissão do cargo de presidente da Investe SP (Agência Paulista de Promoção de Investimento e Competitividade), cargo que ocupava desde janeiro deste ano. O anúncio foi feito após reunião com o governador João Doria (PSDB).
Na carta de demissão, Aloysio disse ter sido surpreendido pela diligência da Polícia Federal em sua casa e afirmou que não teve acesso aos autos. Ele justificou que "o fato incontornável é a repercussão negativa desse incidente, que me mortifica a mim e à minha família, e que também pode atingir o governo de V. Exa. (Vossa Excelência)". "Não tenho, em minha consciência, o que possa comprometer a lisura que sempre mantive com o padrão de minha conduta."
A Polícia Federal cumpriu ontem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Aloysio, entre eles o apartamento onde o ex-chanceler mora no bairro de Higienópolis, zona oneste da capital paulista.
Segundo investigadores, Aloysio teria recebido um cartão de crédito em dezembro de 2007 vinculado a uma das contas da offshore Groupe Nantes, controlada pelo ex-diretor da Dersa e suposto operador do PSDB, Paulo Vieira de Souza - preso ontem pela terceira vez. À época, Aloysio era secretário da Casa Civil do governo de José Serra (PSDB) em São Paulo e teria indicado Vieira de Souza para ocupar o cargo de diretor de engenharia da Dersa, estatal paulista responsável por obras viárias, como o Rodoanel.
Documentos fornecidos pelo Ministério Público da Suíça mostram que o cartão foi enviado para Aloysio no Hotel Majestic, em Barcelona, na Espanha, onde teria ficado hospedado entre os dias 24 e 29 de dezembro de 2007.
Na decisão que autorizou a operação, a juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, afirmou que Aloysio era o "beneficiário final" do cartão de crédito, abastecido com mais de US$ 275 mil. "Há elementos probatórios documentais de que, no ano de 2007, ele foi o beneficiário final de um cartão vinculado a conta do Groupe Nantes, na Suíça, abastecida com US$ 275.776,04 provenientes da Odebrecht", afirmou a magistrada.
Aloysio é o segundo nome do primeiro escalão do governo João Doria a se afastar após ação da PF na Lava Jato - o primeiro foi o ex-ministro Gilberto Kassab, alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência no inquérito que investiga o suposto recebimento de R$ 23 milhões de propina da JBS. Kassab pediu licença do cargo de secretário estadual da Casa Civil.
Defesa
Em nota, Aloysio negou ter recebido cartão de crédito da conta do operador de Vieira de Souza. O PSDB de São Paulo afirmou que "não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira e jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome". /

Agência Estado

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