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Lava Jato vê ligação entre ex-Dersa e Odebrecht

21:42 | 19/02/2019
A Polícia Federal prendeu na terça-feira, 19, em São Paulo, pela terceira vez, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, estatal paulista responsável por obras viárias. Apontado como arrecadador de campanhas do PSDB, ele foi incluído agora no rol de operadores financeiros da Odebrecht pela 60ª fase da Operação Lava Jato.
Segundo as investigações, após deixar a Dersa, em 2010, Vieira de Souza providenciou junto com doleiros cerca de R$ 100 milhões em espécie para a empreiteira pagar propina e caixa 2 de campanha a políticos em todo o País e mantinha cerca de R$ 132 milhões de origem ilícita em quatro contas na Suíça da offshore panamenha Groupe Nantes, controlada por ele.
A PF também fez buscas em imóveis do ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), que foi ministro de Relações Exteriores do governo Michel Temer. Ele é suspeito de ter recebido, em 2007, um cartão de crédito em nome da Groupe Nantes. Ontem, o tucano pediu demissão do cargo de presidente da agência de investimentos Investe São Paulo, do governo João Doria (PSDB).
A operação de ontem foi deflagrada pela força-tarefa da Lava Jato do Paraná por ordem da juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba. É lá que tramitam todos os casos envolvendo crimes relacionados a Petrobras e ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, sob relatoria fixa do ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, a ação tira a principal acusação envolvendo o suposto operador do PSDB da alçada do ministro Gilmar Mendes, que soltou Vieira de Souza duas vezes no ano passado. "Se isso acontecesse (de novo) seria um caso de exercício arbitrário de poder, fora do Direito", escreveu ontem no Twitter o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Força Tarefa de Curitiba. A juíza Gabriela Hardt afirmou que o caso agora "foge ao alcance" das decisões de Gilmar.
Réu de duas ações penais da Lava Jato em São Paulo - uma por desvio de R$ 7,7 milhões e outra por fraude e formação de cartel envolvendo as obras do Rodoanel Sul -, o ex-diretor da Dersa estava em recolhimento domiciliar integral e monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica por decisão tomada pela Segunda Turma do STF em setembro de 2018.
As investigações tiveram início a partir de depoimentos e colaborações colhidas dos próprios funcionários da Odebrecht e de doleiros investigados em fase anteriores da operação e ganharam força após o Ministério Público da Suíça enviar ao Brasil dados sobre a movimentação financeira das contas da offshore de Vieira de Souza naquele país.
Os documentos mostram que enquanto o engenheiro foi diretor da Dersa, entre 2007 e 2010, a Groupe Nantes recebeu US$ 952 mil por meio de offshores ligadas as empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, além de cerca de R$ 740 mil da Odebrecht. As operações já eram feitas em conjunto com os doleiros Adir Assad e Roberto Tacla Duran.
Depois de deixar a estatal, em abril de 2010, o engenheiro passou então a atuar com os doleiros no esquema de lavagem de dinheiro da Odebrecht. A offshore dele chegou a fazer uma joint venture com uma das 12 empresas de Tacla Duran para dar aparente legalidade às transações financeiras.
Bunker
Segundo depoimento de Adir Assad, que fechou termo de colaboração com o MPF, Vieira de Souza tinha cerca de R$ 100 milhões guardados em dois imóveis na capital paulista, o dobro do tamanho e da riqueza do ‘bunker’ do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Governo Temer), que foi encontrado pela PF em setembro de 2017.
"Estava acondicionado em uma residência em São Paulo e também num apartamento que, segundo revelado por Adir Assad, era local onde Paulo Preto tinha um bunker para guardar as propinas", afirmou ontem o procurador da República Roberson Pozzobon. Assad relatou que entrava na garagem da residência com um automóvel estilo perua e carregava, por viagem, de 12 a 15 malas com aproximadamente R$ 1,5 milhão cada.

Agência Estado

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