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Grupo anticorrupção apura conta de Queiroz

19:46 | 15/02/2019
A investigação sobre movimentações financeiras suspeitas de assessores do hoje senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), entre eles o ex-motorista Fabrício Queiroz, foi enviada nesta semana ao Grupo Especializado no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio. A mudança indica um aprofundamento nas apurações, já que o Gaecc tem como função auxiliar na prevenção e repressão a crimes e infrações civis contra o patrimônio público ou que atentem contra a probidade administrativa.
Segundo o Ministério Público, o grupo dará apoio ao promotor encarregado do caso, Luís Otávio Lopes, titular da 25ª Promotoria de Investigação Penal (PIP). A 25ª PIP cuida do caso desde que o promotor da 24ª PIP, Claudio Calo, alegou a sua própria suspeição para analisar o caso. Ele já tinha se encontrado com Flávio, no fim do ano passado, antes de ser designado para a investigação.
Ainda de acordo com o MP, a ajuda do Gaecc será necessária porque os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontaram movimentações atípicas na conta de Queiroz são complexos e levam tempo para serem analisados. Segundo um promotor, que não quis se identificar, esse grupo atua no combate à corrupção, e quando algum promotor se depara com alguma situação que possa caracterizar possível corrupção e demande complexidade e uma análise mais detalhada e especializada, ele pode pedir auxílio ao grupo.
Apesar de o órgão explicar que o mesmo apoio pode ser pedido nos outros procedimentos investigatórios sobre parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio, só o promotor do caso Queiroz terá o reforço.
Ao todo, foram abertos 22 procedimentos de investigação penal sobre o relatório do Coaf, produzido na Operação Furna da Onça, sobre corrupção na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O documento mostrou que, por 13 meses, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, quantia considerada incompatível com sua renda. Também apontou movimentações atípicas nas contas de mais de 70 assessores e ex-assessores de outros 21 parlamentares, além de Flávio.
O Coaf descobriu ainda que Queiroz recebeu regularmente depósitos de colegas de gabinete na Alerj. A prática indicaria a ocorrência da chamada "rachadinha", procedimento irregular pelo qual os servidores nomeados em cargos de confiança repassariam ao deputado a maior parte ou a totalidade de seus salários. Da mesma conta de Queiroz saíram R$ 24 mil para a conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente disse que se tratava do pagamento de uma dívida com ele, feito por meio da conta de sua mulher.
Flávio nega ter participado ou tido conhecimento de irregularidades no caso. Queiroz, em entrevistas, também disse ser inocente. Atribuiu a movimentação a supostas operações de compra e venda de carros usados. Não apresentou, porém, provas de suas afirmações. Chamado quatro vezes para depor no MP, alegou problemas de saúde (ele se trata de um câncer) para não comparecer.
Atuação
O Gaecc atuou em vários casos de repercussão no Estado. Já foi responsável por pedir a indisponibilidade de bens do ex-governador Sérgio Cabral e do ex-presidente da Alerj Jorge Picciani, ambos do MDB. Também concluiu que o grupo de Cabral e o ex-secretário da Saúde do Rio Sérgio Côrtes teriam desviado R$ 27 milhões do Corpo de Bombeiros.

Agência Estado

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