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O retorno do compositor João Santana

10:18 | 09/02/2019
O marqueteiro João Santana, condenado na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro, e desde outubro do ano passado em prisão domiciliar, voltou a fazer letras de música com parceiros do antigo Grupo Bendegó - entre eles Winston Barreto, o Gereba, de 73 anos, e em plena atividade artística. Santana tem 66. "Depois de 40 anos, voltamos a compor", disse Gereba. "Já fizemos 12 músicas, e o João continua aquele poeta fera, de alto nível, muito melhor do que antes".
Entre as músicas que fizeram está O lema de Rondon - uma homenagem de Patinhas, seu apelido artístico nos velhos tempos, ao marechal e sertanista Cândido Rondon (1865-1958). O lema do militar, que consta da letra, é: "Morrer, se preciso for; matar nunca". Santana deixou o cabelo crescer, e está usando barbicha. "Parece um filósofo grego", comparou Gereba.
O outro parceiro de Santana/Patinhas é Jair Ventura dos Santos, o Kapenga, igualmente ex-Bendegó, e responsável pela parte musical das campanhas políticas nos tempos em que o marqueteiro atuava nesse ramo. Somando Gereba e Kapenga, as músicas já chegam a 30. "João ainda não revolveu como e quando o trabalho será divulgado, mas estamos conversando sobre isso", disse Gereba. Algumas das novas letras de Santana homenageiam grandes compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Gereba e Kapenga estão na lista autorizada de visitas que o marqueteiro pode receber.
João Santana e sua mulher, Mônica Moura, marqueteiros do PT e de outros partidos, foram alvos da 23.ª fase da Operação Lava Jato, de fevereiro de 2016, acusados de receber milhões de dólares em conta secreta no exterior e no Brasil. As duas sentenças do juiz Sérgio Moro, o hoje ministro da Justiça, condenaram o casal, somadas as penas, a 15 anos de prisão. Como fizeram delação premiada, passaram a cumprir as penas em regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica. O regime passará a semiaberto - quando poderão sair para trabalhar de dia, voltando à noite - no próximo mês de abril.
Interlagos
O domicílio-prisão é a casa de Santana no condomínio fechado Interlagos, de alto padrão, em Camaçari, próximo a Salvador. Há pouco mais de três meses ele perdeu a mãe, dona Helena. Circulam pela casa três netos ainda na fralda - o mais velho de 2 anos -, filhos dos filhos de Mônica Moura.
Além de compor com a turma do Bendegó - alguns discos estão disponíveis no YouTube -, Santana está próximo de concluir um livro extenso sobre marketing político. Entre suas conquistas na profissão que o tornou milionário, estão a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente condenado na Lava Jato e preso desde abril do ano passado, e as duas eleições da presidente de Dilma Rousseff. Procurado por O Estado de S. Paulo, João Santana não deu retorno.
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