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Política
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"Aproximar o poder das pessoas é o novo jeito de fazer política", diz Boulos à rádio O POVO/CBN

00:23 | 17/08/2018
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Dando continuidade às entrevistas com os presidenciáveis, a rádio O POVO CBN falou nesta quinta-feira, 16, com Guilherme Boulos (PSOL), o mais jovem candidato às eleições de 2018. Henrique Meirelles (MDB) e Fernando Haddad (PT), representando Lula, já deram entrevistas à rádio.
 
Logo no início da entrevista, Boulos respondeu a uma enquete interna relacionada ao caso da exigência de "masculinidade" no edital do concurso para a Polícia Militar (PM) do Paraná. Questionado se "ser um homem 'feminino' fere o seu lado masculino?", o candidato do PSOL foi categórico na resposta. "De jeito nenhum! Aliás, eu acho que está faltando feminilidade nesse País. Nós temos visto por aí, inclusive na política, alguns se apresentando com tanta 'valentia', com tanta masculinidade, e na verdade isso tem se tornado ódio e intolerância. É isso que nós temos visto inclusive na campanha presidencial".
 
Comentando sobre o edital, Boulos o considerou um absurdo, já que o documento sugere que masculinidade seria "a capacidade de não se impressionar com cenas violentas, suportar vulgaridades, não se emocionar facilmente", mas o principal alvo da violência no Brasil tem sido a mulher. "As mulheres sofrem violência doméstica, sexual, sofrem violência nas ruas... colocar isso revela um machismo e uma falta de compreensão da realidade brasileira", considerou o candidato.
 
Sobre suas propostas, o psolista explicou que a esquerda estaria construindo uma aliança com muitos movimentos sociais, ao contrário dos indicativos de isolamento, já que as esquerdas tem candidatos distintos e o congresso tem o Centrão como maioria. "Movimentos de luta por moradia, indígenas, movimento das comunicações, feminista, negro, artistas, professores... É uma aliança que vem debaixo pra cima. Não é uma aliança fisiológica, que apoia um por dinheiro e apoia outro por tempo de televisão, é uma aliança em torno de um projeto pro Brasil". 
 
Ele também afirmou que, ganhando as eleições, tem a convicção de que há a necessidade de "mudar o jeito de fazer política", não apenas com uma reforma, mas com uma refundação da democracia, apresentando um novo jeito de governar. "Eu não quero ser presidente do Brasil pra chegar lá e trocar voto por cargo com o Congresso Nacional, porque é assim que foi feito até hoje." Segundo Boulos, o brasileiro estaria cansado e desesperançado na política por conta de tais práticas.  

"Nós queremos governar, sim, respeitando o congresso, mas com a maioria da sociedade brasileira. E é por isso que a gente tem falado em plebiscitos e referendos. O nosso primeiro plebiscito, dia primeiro de janeiro de 2019, será para que possa apresentar tanto ao congresso quanto à sociedade, a revogação dos atos desse governo Temer. Reforma trabalhista, corte por vinte anos em educação e saúde... Nós pretendemos governar com a maioria do povo, não apenas uma relação da praça dos três poderes", relatou ele.
 
Guilherme Boulos afirmou não considerar ser um problema enfrentar o "toma lá dá cá", forma como ele trata o modo de governo brasileiro. Segundo ele, o que faltou ao governo de Dilma Rousseff, que sofreu impeachment ao se afastar do congresso, foi se apoiar na sociedade brasileira e chamar o povo a se mobilizar. O presidenciável considera que aproximar o poder das pessoas é o novo jeito de fazer política". Para ele, as grandes mudanças que aconteceram no Brasil aconteceram, sempre, com grandes mobilizações e o posicionamento da sociedade. 
 
"A ditadura militar no nosso país não acabou porque generais decidiram que era a hora de acabar. Acabou porque o povo foi às ruas com as "diretas já" e várias mobilizações", disse ele, ressaltando que o seu governo iria valorizar a participação popular.
 
Ele também definiu o impeachment como golpe e a prisão de Lula como injusta e absurda, "feita para tirá-lo do processo eleitoral". Para ele, a intervenção feita pelo Judiciário nesse processo eleitoral não contribui para a democracia. "Nós temos que enfrentar a corrupção em todos os níveis, e a maior forma de enfrentá-la é mudar o sistema político brasileiro".
 
Ouça abaixo a entrevista completa
 
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Redação O POVO Online 

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