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Comentário de Ciro sobre soltura de Lula atenta contra democracia, diz associação cearense do MP

O presidente da Associação Cearense do Ministério Público (ACMP), Lucas Azevedo, classificou o comportamento como inaceitável para um candidato

21:11 | 26/07/2018
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A fala do candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), sobre eventual soltura do ex-presidente Lula, repercute negativamente no meio jurídico. À TV Difusora, no programa Resenha, no último dia 16, o ex-governador do Ceará disse que o petista só tem perspectiva de liberdade se "a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político".
 
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Em entrevista ao O POVO Online, o presidente da Associação Cearense do Ministério Público (ACMP), Lucas Azevedo, disse que o comentário do ex-ministro da Integração Nacional atenta contra o estado democrático de direito, além de tentar enfraquecer uma instituição que "tenta defender a sociedade". Ele classificou a atitude como inaceitável para um candidato.
 
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Azevedo diz ainda que um presidente da República, seja ele qual for, não pode interferir no Poder Judiciário. Especificamente sobre o Ministério Público, o presidente da associação diz que é uma instituição que se notabilizou nos últimos anos pelo combate à corrupção. "Mas o que pra nós é muito claro é que ele quer sim enfraquecer a instituição, senão não falaria algo assim", pontua.
 
O POVO Online também ouviu posicionamento da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp). Em nota, o presidente da instituição, Victor Hugo Palmeiro de Azevedo Neto, diz que, “como presidenciável, não poderia adotar postura flagrantemente transgressora da ordem jurídica e que retira da sociedade a fé de que a lei deve ser igual para todos". Para o titular da Conamp, o comentário fere a Constituição Federal, que deu autonomia e independência ao Ministério Público.
 
"As declarações de Ciro Gomes assumem o protagonismo na tentativa de enfraquecer a atuação do Ministério Público, quando o pré-candidato deveria se concentrar em fortalecer uma das mais relevantes instituições do País", diz a nota.
 
Procurada, a presidência do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) não quis se manifestar sobre o assunto. O mesmo aconteceu com a Associação Cearense de Magistrados.
 
Ciro se defende 
 
Em sua defesa, conforme noticiado pela versão impressa do O POVO desta quinta-feira, 26, Ciro diz que a frase foi propositalmente retirada de contexto para ocasionar mal-entendido. Por "a gente assumir o poder", ele fala que se referiu aos democratas em geral, para além da própria legenda.
 
A reportagem entrou novamente em contato com a assessoria de Ciro Gomes na noite desta quinta-feira, 26. A assessoria do político informou ao O POVO Online que ele já explicou o assunto. 
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