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A "velha política" já apostou: Brasil vai continuar como sempre foi

19:51 | 20/07/2018

Desde 2013, o Brasil chega a cada véspera de eleição no clima da clássica colaboração entre Milton Nascimento e Beto Guedes: “Nada será como antes”. É quase um grito coletivo de “agora vai”, a esperança de que o país está prestes a viver uma grande renovação política e social.
 
 
Dá pra entender a lógica. Depois de tanto protesto, impeachment, político preso, o que se espera é que tamanha efervescência na arena pública se reproduzisse em mudança real nas urnas. Ledo engano. Fora o fluxo sempre crescente do desinteresse e dos votos brancos e nulos, o que vamos vendo é pouca mudança e oligarquias com raízes a cada dia mais profundas.
 
 
Em 2018, a nata do establishment político brasileiro – que vem ganhando as alcunhas de “velha política” e, mais recentemente, o termo sofisticado de “Centrão” – parecia seguir na mesma expectativa. Resistiu a chamegos de PT e PSDB, as duas maiores e mais tradicionais siglas, e fez acenos arriscados de todo o tipo, até para o sempre imprevisível Ciro Gomes (PDT).
 
 
Nesta semana, tudo mudou. Após reunião na quinta-feira, o grupo de partidos de matriz ideológica “flexível” declarou apoio à candidatura do tucano Geraldo Alckmin. A escolha deixa claro que, após flertar com a possibilidade de um resultado imprevisível emergir das urnas, o grupo deixou a tese de lado. Aposta mesmo é que tudo vai ficar como sempre foi.
 
 
Não faço aqui juízo de valor. Não é que Ciro representaria uma revolução ou Alckmin o atraso. Mais que isso, a aposta no tucano – estagnado bem atrás nas pesquisas – representa uma aposta “na casa”. Uma fé em que, disparates nas redes sociais a parte, vai vencer aquele com mais tempo de TV e estrutura partidária. Ou seja, o de sempre. Horas depois do anúncio do Centrão, a Bolsa subiu e o dólar caiu.
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