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Saída de Parente mergulha Petrobras em incerteza e afunda de vez governo Temer

12:51 | 01/06/2018
Os efeitos políticos da saída do presidente da Petrobras, Pedro Parente, são desastrosos para o governo e para a estatal e precipitam uma discussão sobre a gestão da petroleira, empresa de capital misto cujo principal acionista é o estado.
  
Parte da ressaca da greve dos caminhoneiros, que paralisou o Brasil por 12 dias, o pedido de demissão do executivo também explicita que sua permanência no comando da companhia era insustentável.
 
No auge da crise, aliados e adversários de Temer pediram a cabeça de Parente. A razão da queda de braço era a manutenção da política de indexação do preço do combustível ao dólar. Adotada desde julho do ano passado pela Petrobras, ela provocou sucessivos aumentos de combustíveis nas bombas e acabou levando a uma das maiores greves desde a redemocratização. 
  
Mesmo depois de deflagrada a paralisação, Parente se manteve na defesa dessa estratégia. No meio da semana passada, quando os grevistas começavam a emparedar o governo, ele disse que não mexeria na política de preços. Uma hora após a declaração, no entanto, admitiu que a empresa poderia reduzir em 10% o preço do diesel nas refinarias por 15 dias, de modo a permitir que o Planalto pudesse negociar com mais folga. 
 
No mesmo dia, Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, lembrou que Parente ocupava “um cargo de confiança do presidente da República”, o que alimentou especulações sobre a exoneração do subordinado. Começava ali a fritura do presidente da Petrobras.  
 
Líder do Congresso, Eunício Oliveira (MDB) chegou a dizer que, “entre os Parentes e a população”, ficava com a população. Na mesma linha, o senador tucano Cássio Cunha Lima pediu a demissão do executivo.
 
Já na reta final da crise, Parente ainda se viu diante da ameaça de uma nova paralisação, agora dos petroleiros, que ele tentou evitar escrevendo-lhes uma carta, mas foi prontamente ignorada.
 
Parente pede demissão dois anos depois de assumir a empresa. Nesse período, conseguiu recuperá-la tanto financeira quanto simbolicamente. Junto ao mercado, a imagem da Petrobras voltou a gozar de credibilidade, atingida em cheio pelo excesso de intervencionismo dos anos Dilma e o descalabro revelado pela Operação Lava Jato.
 
No cargo, entretanto, a porção tecnocrata de Pedro Parente falou mais alto que a do político (ele foi ministro da Casa Civil de FHC). Intransigente, negou-se a relaxar a dolarização dos combustíveis, e só aceitou a redução de R$ 0,46 no preço do diesel porque o governo se comprometeu a subsidiar as perdas da companhia.
 
Como disse um senador, o remédio aplicado à Petrobras talvez tenha sido correto. A dose é que acabou se mostrando exagerada. Parente cai agora porque não soube administrar bem essa dosagem.
 
Sua queda representa não somente a falência de uma política que saneou a Petrobras e castigou os consumidores com 11 aumentos sucessivos de gasolina em pouco mais de 15 dias apenas no mês de abril. Ela também mergulha a estatal num mar de incertezas e termina de sepultar o governo Temer.
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