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Qual dos pré-candidatos a presidente de esquerda tem mais chance de herdar a força do lulismo?

13:30 | 10/04/2018
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Preso desde o último sábado, 7, quando se entregou à Polícia Federal, Luiz Inácio Lula da Silva pode ficar fora da corrida eleitoral desde ano. Por enquanto, o Partido dos Trabalhores (PT) reafirma sua pré-candidatura sob o discurso de que o ex-presidente é um preso político.

 
 
A prisão ocorreu exatos seis meses antes das eleições, em outubro. Dos nomes que se lançaram como pré-candidatos, dois são radicalmente de esquerda: Guilherme Boulos (Psol), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e a deputada Manuela d'Ávila (PCdoB). Ambos se mobilizaram em defesa de Lula nos últimos dias. Boulos, em especial, tem relação de mais proximidade com o ex-presidente.
 
 
A cientista política Carla Michele Quaresma afirma que existe uma divisão dos partidos que antes se aliavam ao petismo de Lula. Ela explica que a lógica da esquerda apresentada pelo PT, a partir do populismo, ruiu. "Da mesma forma que há divisão na esquerda, há na direita, alem de um centro sem ocupação".
 
 
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"Existem alternativas de candidaturas fora do PT que são de uma esquerda mais radical e que, por isso, dificilmente empolgaria o eleitorado a ponto de ir para o segundo turno", afirma. Ela cita Manuela D'Ávila e Boulos, que ela classifica como inexpressivos do ponto de vista político.
 
 
O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), é um dos nomes apontados por Carla Michele. A expectativa do partido é que o paulista seja vice de Lula na chapa à Presidência. Com a eventual candidatura do ex-presidente impugnada, parte dos votos poderia ser transferida para Haddad. 
 
 
"Dificilmente iria para o segundo turno, mas iria melhorar o nível do debate, no meu entendimento, já que é um professor universitário com experiência no Executivo", aponta. Diferentemente do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que ela define como "uma figura instável, contraditória". 
 
 
Ciro já declarou diversas vezes sua pré-candidatura. Embora tenha se posicionado vez ou outra contra a prisão de Lula, não se juntou à militância nos atos em solidariedade ao ex-sindicalista e ex-metalúrgico pernambucano.
 
 
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Lula atribuiu ao ex-prefeito de São Paulo, antes de se entregar à Polícia Federal, a tarefa de dialogar com outras legendas a respeito das eleições presidenciais.
 
 
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"Ainda é tudo muito recente. Não sabemos como vai ficar esse poder de transferência do Lula. Uma coisa é fazer campanha nas caravanas, outra coisa é ele preso. Não sabemos se o PT vai conseguir usar de maneira proveitosa a prisão do Lula do ponto de vista eleitoral", avalia Carla Michele.
 
 
Para o professor da área de comunicação política da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wilson Gomes, ainda é necessário que Lula consagre uma pessoa. "O PT continua falando que Lula é candidato. É preciso que apareça alguém que ele resigne. Enquanto ele ocupar esse lugar, não vai ter herdeiro nenhum". 
 
 
Já o deputado Chico Alencar (Psol/RJ) pondera que a popularidade de Lula vai além do PT e da ideologia de esquerda. "É relacionada com sua própria história de vida, a personalidade e o carisma de Lula. E isso não é transferido automaticamente para outros candidatos de esquerda e nem para o próprio PT", diz. Chico avalia que, no Brasil, ainda está tudo muito em aberto. 
 
 
A cearense Carla Michele Quaresma lembra que, assim como em 1989, quando houve a primeira eleição direta desde o golpe militar de 1964, muitos nomes já surgiram para a disputa. Até agora, são 18 pré-candidatos. Em 89, foram 22. Naquele ano, disputaram nomes como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Mário Covas. Lula foi para o segundo turno e perdeu para Collor. "É um momento de indecisão, extremamente nebuloso".
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