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Política
Eleições 2018

Lula, Bolsonaro e Ciro: o que eles e outros pré-candidatos já propõem para ganhar seu voto?

A poucos meses dos brasileiros irem às urnas, mudanças econômicas implantadas pelo presidente Michel Temer (PMDB) estão entre as principais pautas discutidas pelos políticos que tentam a sucessão

09:35 | 14/02/2018

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
 

A menos de oito meses para as eleições, O POVO Online preparou uma lista do que alguns pré-candidatos à Presidência da República já apresentaram de propostas. Na economia estão as principais medidas a serem tomadas no início da próxima gestão, independentemente de quem vencer, segundo os políticos. Enquanto uns defendem que reformas realizadas durante o governo do atual presidente Michel Temer (MDB) sejam mantidas, outros prometem revogar tais decisões.

Com cenário de indefinições, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nome que lidera as pesquisas, pode sequer estar elegível nas urnas, a disputa promete trazer número de candidatos superior ao visto nas eleições de 1989, em que Fernando Collor de Mello foi eleito.

Esquerda e direita também devem ter mais representações. Enquanto nas últimas eleições, tucanos e petistas concentraram os votos da população, o ambiente que se forma é de votos divididos mesmo dentro de um mesmo campo ideológico.

 

(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
 

 

Lula (PT)

Se ele já se colocava como candidato antes de ter a condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, Lula passou defender ainda mais o interesse de voltar a governar o País após a decisão dos desembargadores. Contudo, a decisão unânime (3 a 0) da Corte colocou o político mais longe das urnas. A previsão é de que antes do dia 7 de outubro, quando ocorre o primeiro turno, o ex-presidente já tenha sido julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deve inviabilizar a candidatura.

As principais propostas já apresentadas por Lula envolvem a revogação de medidas tomadas pelo atual presidente. Ele também pretende reforçar programas sociais implantados no período em que esteve no Palácio do Planalto, entre 2003 e 2011.

 

- Referendo para consultar a população sobre reformas realizadas no governo Temer

- Criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego

- Reajuste de 20% nos valores do Bolsa Família

- Aumento real do salário mínimo e do seguro-desemprego

- Correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual

- Ampliação do crédito para estimular o consumo

- Federalização do ensino médio

 

 

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
 

 

Geraldo Alckmin (PSDB)

 

Desde agosto do ano passado, o tucano admite o interesse em disputar vaga na Presidência. Em setembro do ano passado, ele disse querer ser "o presidente do povo brasileiro". O atual governador de São Paulo mantém propostas históricas do PSDB. Em documento divulgado no fim do ano passado, a sigla acenou para o que deve ser a base do plano de governo de Alckmin. O texto classifica o Estado como “caro, inchado e ineficiente”. E aponta que o caminho para a mudança é enxugar a máquina pública, controlando gastos e reduzindo o número de concursos. O documento defende ainda a política econômica do Brasil entre 1995 e 2002, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) esteve no poder, e sugere conceder a gestão de estatais à iniciativa privada.

- Criação de uma agência nacional de inteligência de combate ao narcotráfico e redução de homicídios no País

- Conclusão da Transposição do Rio São Francisco

- Concessão de serviços e estatais à iniciativa privada

- Implantar um protocolo de fiscalização das empresas depois da venda

- Reforçar investimentos na educação básica, infantil, fundamental e médio

- O documento tucano ainda propõe mudança do presidencialismo para o parlamentarismo, ideia que também é defendida pelo pré-candidato

 

(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

 

Jair Bolsonaro (PSL)

 

Um dos primeiros pré-candidatos a anunciar a pretensão de disputar vaga no Executivo, Bolsonaro tem propostas nacionalistas e de redução de poder do Estado. Ele também reforça posicionamentos como a revogação do estatuto do desarmamento, o fim do debate de gênero nas escolas e a exploração de Nióbio.

- Manutenção do tripé macroeconômico: taxa de câmbio flutuante, metas fiscais e de inflação

- Na educação, ele pretende colocar um general no Ministério da Educação (MEC) e utilizar metodologia semelhante à adotada em colégios militares

- Na política internacional, ele pretende investir em tratados bilaterales, principalmente com os Estados Unidos

- Ele defende ainda a revogação do estatuto do desarmamento e a implantação de sistema semelhante aonorte-americano, em que cada estado define sua legislação sobre o tema

- Redução da maioridade penal

- Pretende fazer auditoria para reduzir o número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família

- Ele aposta na maior exploração das ligas metálicas Nióbio e Grafeno. De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), 98% das reservas conhecidas no mundo estão no Brasil

- Deputado é contra a descriminalização do aborto e das drogas

- Ele também já se mostrou contra a Reforma da Previdência como proposta por Temer

(Foto: Mauri Melo/O POVO)
 

Ciro Gomes (PDT)

Viajando o País ministrando palestras sobre gestão pública, o ex-governador cearense defende ideias para um plano nacional de desenvolvimento com metas e mecanismos de controle. Ele aponta a industrialização do Brasil como um caminho para desenvolvimento econômico, reduzindo a importação. O modelo que o Ferreira Gomes defende é o de substituição de importações a partir de quatro bases.

- Petróleo e gás: pretende fomentar a exploração dos materiais e usar para abastecer o mercado interno

- Reduzir a dependência internacional na saúde, aumentando a produção de medicamentos, máquinas e próteses

- Investir na formação de um complexo industrial do agronegócio para tornar o setor mais competitivo internacionalmente

- Formação de complexo industrial da defesa para trazer mais independência ao setor no País

- Redução da taxa de juros

- Implantar tributação sobre lucros e dividendos

- Ele critica a reforma da Previdência proposta por Temer, mas defende que haja mudança na área. Ele propõe mudança do regime de repartição (em que os contribuintes em atividade pagam os benefícios dos aposentados) para capitalização (trabalhadores poupam para a própria aposentadoria)

 

(Foto: José Cruz/ Agência Brasil)
 

Marina Silva (Rede)

 

A pré-candidata deve focar agenda em questões socioambientais, como foi durante a campanha em 2013. Contudo, Marina já acenou posicionamento sobre assuntos que estão diretamente envolvidas na crise política nacional, como controle de gastos, reforço da Polícia Federal e reforma da Previdência.

- Para a economia, ele defende controle da inflação, com câmbio flutuante, além de estímulo à concessão de crédito

- Manter políticas sociais e tentar reduzir gastos públicos. Contudo, ela não especificou quais programas teriam continuidade, caso eleita

- Atrelar o crescimento dos gastos públicos proporcionalmente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)

- Defesa de políticas socioambientais e aumento de fiscalização sobre setores que provocam poluição. Ela também defende a implantação de programa de certificação das empresas

- Ela já criticou políticas de privatizações adotadas por outros governos

- Reforço nos investimentos para equipar a Polícia Federal

- Marina também já afirmou que votaria a favor das propostas de reforma da Previdência e trabalhista, acrescentando pequenas mudanças, como o tempo mínimo de contribuição de 25 anos para se aposentar

 

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
 

Henrique Meirelles (PSD)

Na disputa por uma vaga no Palácio do Planalto, Meirelles seria um representante do atual governo. Ele ainda nega que esteja definido para a disputa, mas reconhece que existe a possibilidade. Com divergências entre tucanos e aliados do MDB, o ministro da Fazenda se manteria próximo ao legado de Temer, já que Alckmin, por exemplo, tem divergências com decisões do presidente.

 

- Reforma da Previdência: caso não seja aprovada ainda no governo Temer, a mudança nessa legislação deve ser uma das principais medidas defendidas por Meirelles

 

(Foto: Divulgação/ALRS)
 

Manuela D'Ávila (PCdoB)

Primeira pré-candidata da história da legenda, D’Ávila deve procurar os votos dos mais jovens, principalmente nas redes sociais, onde candidatos como Jair Bolsonaro são fortes. Da esquerda, ela será alternativa no cenário em que o ex-presidente Lula torne-se inelegível.

- Promover consulta popular para definir se reformas implantadas pelo presidente Michel Temer serão mantidas, incluindo a que congelou gastos públicos por 20 anos em alguns setores

- Sem entrar em detalhes, ela adiantou que pretende reforçar políticas públicas para a juventude, aumentar investimentos na educação e reduzir o desemprego

 

(Foto: Divulgação/Novo)
 

João Amoêdo (Novo)

A sigla também terá o primeiro representante disputando a Presidência do País. Com ideologia liberal, deve buscar eleitores jovens, perfil semelhantes ao que possui em redes sociais

- Política de privatização de estatais e usar o dinheiro obtido para pagar juros da dívida pública

- Tornar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) opcional, deixando o trabalhador livre para aplicar onde preferir

- Manter a política de congelamento dos gastos públicos adotada por Temer

- Ele também defende a Reforma da Previdência sugerida pelo atual presidente. Amoêdo propõe ainda mudanças na legislação no futuro, como aumento da idade de aposentadoria para 65 anos, tanto para homens quanto para mulheres

 

(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
 

Álvaro Dias (Podemos)

Se eleito, o senador promete mudanças radicais aproveitando o início do mandato, enquanto, segundo ele, enfrentará menos resistência e terá mais apoio popular. Sem entrar em detalhes, ele já revelou as principais medidas que espera tomar.

- Cortar ministérios e cargos comissionados

- Implantar política de privatizações das estatais

- Incentivar corte de privilégios de juízes

- Reforma política para reduzir em um terço o tamanho do Senado e da Câmara. Pretende também reduzir o número de partidos

- Reforma tributária com implantação de um imposto único sobre movimentações financeiras

 

Fernando Collor (PTC) e o cirurgião plástico Robert Rey anunciaram a intenção de disputar vaga, mas não apresentaram propostas. No caso do médico, ele não se filiou a partidos. Apontado como possível candidato, Luciano Huck negou a intenção de figurar nas urnas neste ano. Guilherme Boulos, que deve ser o escolhido pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), ainda não está oficialmente vinculado à sigla.

IGOR CAVALCANTE