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Política
ANÁLISE

Beija-Flor e Tuiuti mostram que políticos não terão vida fácil em 2018

Confira artigo do jornalista O POVO, Henrique Araújo

18:05 | 14/02/2018

Paraíso do Tuiuti. (FOTO: Mauro Pimentel/AFP)
 

Em ano de eleição, a Sapucaí deu o tom e o ritmo do que vem pela frente. Campeã do grupo especial das escolas do Rio, a Beija-Flor fez um pot-pourri das mazelas do Brasil de hoje. Agremiação umbilicalmente ligada ao jogo do bicho, levou à avenida presidiários com celular, reencenou assaltos na Cidade Maravilhosa sob domínio do peemedebismo, desfilou malas de dinheiro e espalhou ratos, numa referência ao histórico samba de 1989, composição de Joãosinho Trinta.

 
 

Mas foi a Paraíso do Tuiuti que chamou a atenção. Nanica, ficou a um décimo do título. Vice, sim, mas por merecimento. Fez história. Recém-chegada ao grupo de acesso, quebrou a internet no fim de semana ao exibir um roteiro de horror, com direito ao "vampiro-presidente", aos "manifestoches" e a trabalhadores informais, em crítica aberta às reformas da Previdência e trabalhista.

Não apenas: o grupo tematizou a escravidão e deixou no ar a pergunta: os negros de fato estão libertos? Foi aplaudida de pé. Volta a desfilar no sábado, agora com ampla cobertura das televisões, que tentaram fazer vista grossa às alegorias que expunham o poder da imprensa, como o pato da Fiesp controlado por cordames manipulados por mãos invisíveis.

 

Mais que a inflexão política da festa, porém, surpreendeu a escolha dos jurados. Reflexo de tempos mais avessos ao banditismo de colarinho branco ou aceno oportunista à torcida, sobretudo nas redes sociais? Ao premiar três sambas-enredo com discurso crítico (o terceiro, da Salgueiro, também fazia ataca problemas da atualidade), é como se o Carnaval mandasse um recado claro aos parlamentares, os eleitos e os que ainda serão: vejam o que espera por vocês nas urnas em outubro deste ano.

HENRIQUE ARAúJO