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Política
Ex-governador

"Tuneladoras em cima da terra estão no paraíso", diz Cid em crítica a "imbecis"

Máquinas custaram R$ 138 milhões e nunca foram usadas. O canteiro de obras onde elas deveriam funcionar foi desmontado no ano passado

18:45 | 12/01/2018

Tatuzões nunca foram usados (Foto: Edimar Soares)
 

Para o ex-governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes (PDT), os “tatuzões” parados em cima da terra estão no “paraíso”. As quatro máquinas para perfuração de túneis da Linha Leste do Metrô de Fortaleza (Metrofor) foram adquiridas em 2013 a um custo de R$ 138 milhões. “As tuneladoras trabalham embaixo do chão, em contato com ácido, elas em cima da terra, sem fazer nada, estão é no paraíso. Só os imbecis falam isso (criticam) para fazer maledicência”, atacou o ex-governador.

Desde a compra, as perfuratrizes sempre estiveram cercadas de polêmicas, já que não é comum ao cliente – no caso o Governo do Ceará – adquirir os equipamentos usados na obra. Em entrevista ao radialista Izaías Nicolau, da Rádio Tupinambá, o ex-chefe do Executivo estadual explicou que os equipamentos foram a alternativa encontrada para a Linha Leste passar sob a avenida Santos Dumont sem precisar de intervenções na superfície da via.

Para evitar a demora

“Pensei que se eu fosse licitar as tuneladoras junto da obra, para a empresa comprar, ia demorar uns dois anos e meio, no mínimo, para começar os trabalhos. Resolvi licitar com recursos próprios”, disse. Cinco anos depois, apesar da compra, os equipamentos nunca foram usados. E o canteiro de obras de onde deveria começar a escavação, próximo ao Colégio Militar, na avenida Santos Dumont, foi desmontado no fim do ano passado.

 
 

Segundo o Ferreira Gomes, o valor pago pelas quatro perfuratrizes foi mais de 50% inferior ao custo que seria pago caso a empreiteira tivesse comprado. Ele defende ainda que a medida garantiu mais segurança ao negócio, sem risco de haver esquema de corrupção entre a construtora e a vendedora das máquinas.

Esquemas frustrados

Em depoimento à Lava Jato, João Pacífico, um dos delatores da Odebrecht, disse que a compra das máquinas frustraram interesses da empreiteira no Ceará. Ainda na entrevista à rádio, Cid Gomes comentou que durante os oito anos de mandato foi assediado diversas vezes a participar de esquemas de corrupção. “Comigo não tem isso”, garantiu.

Ele lembrou do cartel envolvendo as cinco maiores empreiteiras do País: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão. “Em de Fortaleza, concorreram outras empresas. Ganhou a Carioca Engenharia com os valores mais baixos. Ainda assim, mandei minha equipe fazer um pente fino no projeto e reduzimos em mais de R$ 100 milhões a obra”, ressaltou.

IGOR CAVALCANTE