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Com Alckmin estagnado, juventude tucana reacende nome de Doria

11:53 | 16/01/2018
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Aproximando-se de data limite para apresentar desempenho satisfatório nas pesquisas de intenção de voto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), terá de enfrentar agitação da militância jovem do partido nos bastidores. Inquieta com estagnação dos índices, o grupo retoma debate para o posto de presidenciável tucano e traz de volta o nome de João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo.

Segundo avaliação de lideranças nacionais de movimentos tucanos pelo Brasil, já pode haver um empate técnico na divisão de preferências pelos dois nomes no debate interno de jovens do PSDB, e nomes contrários ao de Alckmin – e à decisão nacional de elegê-lo como presidente do partido – são oxigenados.

Por causa do desconforto causado pelo cenário de divisão, tese de realização de prévias – descartadas por muitos políticos de alto escalão da legenda – começa a ser exigida com mais concretude pela juventude da sigla.

O desconforto, em si, teve como estopim uma declaração de Leonardo Braga, presidente da Juventude do PSDB no Rio Grande do Sul. Vereador de Sapiranga, interior do Estado, Leo teria dito à Folha que “se a candidatura do Geraldo não decolar, o nome é João Doria” para a disputa presidencial.

“Teria” porque, logo após a publicação da matéria, o vereador de 23 anos, abalado pela repercussão, disse ao O POVO Online que a conversa teria sido muito mais extensa e a declaração teria sido feita “em um contexto” não explicado.

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“Tomou uma proporção nacional isso. Foi uma situação um pouco chata. Nos bastidores estão questionando, estão em atrito”, lamenta Leonardo Braga. Em todas as perguntas, Leo toma o cuidado de retificar apoio incondicional a Alckmin, “o candidato mais preparado para as eleições e para comandar o País”.

 

“Defendo as prévias, e, nas prévias, defendemos o Geraldo para presidente. Somente se não fosse o Geraldo, eu, Leonardo Braga, admiro muito o trabalho do prefeito João Dória e sua vida vitoriosa, forjada no trabalho e honestidade”, garante Leo.

Presidência Nacional da Juventude é Alckmin 

Postura parecida toma o presidente nacional da Juventude do PSDB, Marcos Saraiva. Não importando muito a pergunta, a resposta é “Geraldo Alckmin”, com alguma diversificação nas entrelinhas da mensagem. “Por tudo que fez pelo Estado de São Paulo, por sua gestão impecável, Geraldo é esse nome. Geraldo é o candidato da juventude e é o nome certo para conduzir o Brasil.”

Marcos é o líder da juventude tucana, oficialmente. Internamente, contudo, ele é conhecido como o representante de Alckmin e da ala paulista da sigla. Foi eleito – em meio à confusão e adiamento da votação – durante a 14ª Convenção Nacional do PSDB, em dezembro, vencendo o então presidente André Morais, nome de Aécio Neves e de Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus. A mesma convenção também elegeu o governador de São Paulo como presidente nacional do partido, consolidando os paulistas no comando.

Alckmin é consenso, Doria é oposição

Com a influência política de Alckmin e sob a batuta de Marcos, o consenso, mesmo entre defensores de Doria, é de que a indicação se feche em torno do governador. “Estão reavivando debates de prévias do partido para ver se os nomes alcançam a mesma força – ou até mais – de Geraldo Alckmin. A briga está boa. Mas, no fim, Geraldo vai ser o candidato mesmo”, revela Lucas Pagani, diretor de formação política da Juventude do PSDB do Paraná.

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O esforço de reavivar nome para a candidatura é efeito direto do enfraquecimento de Doria, com o passar do tempo de gestão, entre a juventude paulista, conforme Caíque Mafra, fundador do grupo Liberdade Tucana, de São Paulo. “O apoio dele no Estado de São Paulo é cada vez menor. Entre a juventude, estimo que um décimo apoie o nome dele para candidatura à Presidência”, calcula Caíque.

Ambas as considerações de Caíque – a de que há uma ala no partido que deseja mais protagonismo e de que Geraldo não é o nome ideal para o momento – casam muito bem com entendimento majoritário da juventude tucana acerca do mandato de Doria na Capital paulista: deve ser finalizado.

Enquanto soa contraditório, a chave da leitura é exatamente essa: Doria deveria terminar o mandato, para os jovens tucanos, mas ainda há incômodo com nome de Alckmin e com o pouco espaço dado ao grupo de aliados de Doria, que conseguiu a façanha de vencer uma eleição paulistana no primeiro turno – feito ainda mal reconhecido pelo alto escalão do tucanato.

O caminho das migalhas é paralelo ao traçado por André Montoro, neto do ex-governador de São Paulo André Franco Montoro e um dos líderes do grupo Conexão 45, formado em 2015, que trabalhou em todas as etapas da campanha de Doria (dentro e fora do partido), e continua como braço direito da militância do prefeito.

Defensor da realização de prévias, André insiste que o foco é trabalhar pelo êxito do trabalho na gestão municipal, “e fazer a prefeitura acontecer, apoiar as ações de mutirão, nas conversas com secretários e parlamentares”.

“Mas realmente muitos ainda apoiam o nome de Doria e insistem para candidatura dele à Presidência. Porém, acho que a decisão é mais uma coisa em escala federal”, diz André, sugerindo consenso de que Alckmin é o nome dos políticos tucanos.

Livres no PSDB

Outra influência da juventude tucana no partido, ainda em vias de construção, é a aproximação da corrente Livres, que deixou o PSL após acordo de filiação de Jair Bolsonaro (PSC), com o PSDB.

Nos bastidores, lideranças jovens já não escondem gestos e acenos ao Livres, realizando eventos, palestras e debates em conjunto com a corrente liberal – que é majoritariamente composta por jovens. A aproximação condiz com negociação pré-Bolsonaro entre os dois partidos, que estava à beira de trazer 12 deputados federais da bancada jovem do PSDB – os chamados cabeça-preta – para o PSL.

“Existe grande possibilidade de muitos virem para o PSDB. Já existem alguns ex-Livres e ex-PSL entrando nos movimentos tucanos também”, disse uma fonte ao O POVO Online. 

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