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Arquivamento de denúncias contra Temer é "ataque frontal à Lava Jato", diz Transparência Internacional

A denúncia contra Temer ganhou peso após a revelação do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, de um aúdio de uma conversa entre os dois

20:01 | 03/08/2017
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A votação na Câmara dos Deputados que impediu a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) nesta quarta-feira, 2, representou uma afronta evidente à Lava Jato e aos resultados que a operação já atingiu no país. Esse é o entendimento do economista Bruno Brandão, representante do Brasil da ONG Transparência Internacional.

Depois de negociações entre o governo federal e os parlamentares, envolvendo a liberação de emendas e o perdão de dívidas, por exemplo, Temer escapou de uma investigação  no Supremo Tribunal Federal (STF) de uma denúncia de corrupção apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na votação, maioria dos deputados concluiu que não há motivos suficientes para investigar o peemedebista.

A denúncia contra Temer ganhou peso após a revelação do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, de um aúdio de uma conversa entre os dois. Batista contou ao presidente que tinha um infiltrado na Procuradoria da República no Distrito Federal para dar informações sobre ações da Polícia Federal que pudessem prejudicar seus negócios.

Em depoimentos, Joesley acusou Temer de estar ciente de que o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi visto com uma mala com R$ 500 mil em suborno destinado a Temer, segundo denúncia da PGR. Temer nega ter praticado crime em qualquer uma dessas situações.

Brandão diz que o resultado da votação na Câmara mostra que não existe perspectivas a longo prazo. Para ele, é necessária uma profunda reforma no sistema político.

O representante da ONG ainda diz que é grande a disparidade entre o que o governo pede para a população e o que faz para se manter no poder. Os gastos com emendas parlamentares foram de R$ 4,1 bilhões entre junho e julho, período em que o escândalo da JBS se tornou público.

"A mensagem principal é a total e absoluta desconexão da classe política brasileira da população e dos esforços do país e da sociedade brasileira na luta contra a corrupção", alerta Brandão.

Redação O POVO Online

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