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Cunha cometeu crimes de forma "profissional e sofisticada", diz Moro

O juiz titular da Lava Jato justifica ainda que a liberdade do peemedebista representaria risco à investigação e "à ordem pública"

16:40 | 19/10/2016

No despacho que determinou prisão preventiva do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o juiz Sérgio Moro apontou provas de "prática reiterada, profissional e sofisticada" de crimes pelo político. O juiz titular da Lava Jato justifica ainda que a liberdade do peemedebista representaria risco à investigação e "à ordem pública".

Em sua decisão, Moro apontou que o político usava, "com frequência", de táticas de extorsão e intimidação, que poderiam não ter cessado mesmo após a sua cassação. "Embora a perda do mandato represente provavelmente alguma perda do poder de obstrução, esse não foi totalmente esvaziado", diz o juiz.

[SAIBAMAIS]Acusado de receber US$ 5 milhões em propinas pela exploração de um campo de petróleo na África, Cunha é réu na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na manhã desta quarta, ele foi preso próximo ao seu apartamento em Brasília por ordem de Sérgio Moro. Residência do ex-deputado no Rio de Janeiro foi alvo de busca e apreensão.

Também foi pedido o bloqueio de R$ 220 milhões de Cunha, mas contas do ex-parlamentar no Brasil foram encontradas "zeradas". Esposa do peemedebista, a jornalista Cláudia Cruz também é alvo da Lava Jato pelos mesmos crimes.

Prática reiterada

Em seu despacho, Moro cita ainda decisão do ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, que afastou Cunha da presidência da Câmara. Na decisão, o ministro destaca indícios de que Cunha "pressionou e extorquiu" empresários e intimidou pessoas que poderiam delatar irregularidades.

"Considerando o histórico de conduta e o modus operandi, remanescem riscos de que, em liberdade, possa o acusado Eduardo Cosentino da Cunha, diretamente ou por terceiros, praticar novos atos de obstrução de Justiça”, conclui Moro.

Antes julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caso de Cunha "desceu" para a 1ª instância no Paraná após o ex-deputado ter o mandato cassado pela Câmara em setembro. A expectativa é que o ex-presidente da Câmara chegue em Curitiba entre as 17h e 18h desta quarta-feira.

Redação O POVO Online

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