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Polícia dispersa manifestantes com balas de borracha na avenida Beira Mar

19:41 | 07/09/2016
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Atualizada às 23h20min

A manifestação contra o presidente Michel Temer, na avenida Beira Mar, terminou com violência. O ato foi dispersado pela Polícia com balas de borracha, bombas de efeito moral e spray de pimenta quando poucas pessoas deixavam o local, por volta das 19h30min, conforme os participantes. O comando da PM ainda não se manifestou.

O POVO apurou que pessoas ficaram feridas com os disparos. ''A Polícia estrategicamente esperou o ato se dissipar para atacar as pessoas que estão dentro da manifestação. Quando as pessoas estavam indo ele chegaram para atacar", relatou a estudante da Universidade Federal do Ceará, Julianne Pinheiro.

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Ian Gabriel disse que uma pedra foi jogada contra um prédio por um grupo de Black Bloc e houve um incêndio. "A Polícia veio lá de cima fechando um cerco. Houve dois tiros de bala normal e quatro de borracha", narrou.

%2b Veja as fotos do protesto contra Temer na Praia de Iracema

''Foi completamente pacífica, acompanhei o todo o tempo quando me avisaram dessa intervenção policial. Isso é um absurdo, vamos virar São Paulo, onde são probidas manifestaçoes? O Temer baixa a ordem e o Camilo segue e reprime? É lamentável porque desde a saída da praia de Iracema foi tudo muito pacífico", questionou o candidato à Prefeitura de Fortaleza, João Alfredo (PSOL).

Segundo um professor, identificado apenas como Leonardo, a Polícia atirou para cima e jogou bombas de efeito moral. "Chegou causando terror nos manifestantes. A Polícia aqui do Ceará agindo como a de São Paulo, tentando criminalizar àqueles que estão lutando, justamente, contra isso. Foi uma surpresa, a galera não entendeu essa atitude truculenta".

"A gente estava gritando só Temer fascista, ninguém fez nada, ninguém agrediu. Eles só chegaram atirando, bateram em um colega meu. A Polícia sem nenhum treinamento. É isso que a Polícia em toda comunidade pobre de Fortaleza", contou ao O POVO o estudante do Ensino Médio, Rennede Silva.

Um dos representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Doris Soares, informou que após o fim do ato recebeu relatos de violência promovido por grupos anarquistas. "Toda a caminhada organizada pelo MTST foi de forma pacífica, não houve relatos de agressão ou violência", disse ao O POVO. 

O médico e ex-secretário Nacional dos Direitos Humanos, Mário Mamede, relatou que num trecho da Avenida, grupo de seis viaturas e motocicletas foi vaiado pela multidão. Os militares revidaram. Segundo ele, pelo menos duas pessoas ficaram feridas. “Um ficou com as pernas ensanguentadas por fragmentos de uma bomba. Quem passava pelo local parou para ajudar. Os policiais seguiram dando empurrões nas pessoas”, disse.

O POVO tentou contato com o porta-voz da PM, tenente-coronel Andrade Mendonça, mas as ligações não foram atendidas. 

No fim da noite desta quarta, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) enviou nota informando que a manifestação  ocorria pacífica,  "embora no percurso cerca de 50 pessoas, provavelmente infiltradas, realizaram atos de vandalismo, pichando e quebrando fachadas". "Na dispersão, policiais militares que estavam no local utilizaram munição menos letal para dispersar um grupo, após pedras terem sido atiradas em uma viatura. Uma pessoa foi detida. A SSPDS informa ainda que possíveis excessos por parte dos policiais serão devidamente apurados", completa. 

O 2º Distrito Policial, no Meireles, informou que não foram registradas ocorrências de violências na manifestação.

Defensoria

Em nota, a Defensoria Pública do Estado do Ceará informou que, por meio do Grupo de Ações Integradas de Apoio aos Eventos Promovidos por Movimentos Sociais (GAI), acompanhou as manifestações desta quarta, em Juazeiro do Norte e em Fortaleza. O órgão repudiou ''o clima de tensão causados pela ação agressiva da Polícia Militar, sobretudo, no ato que culminou na noite desta quarta na Capital''.

"Em Fortaleza, três defensores públicos acompanharam a manifestação com intuito de assegurar que não houvesse violação de direitos. Ao final, a Polícia Militar chegou de forma ostensiva aos manifestantes, que já se dispersavam, e houve tumulto. Os defensores públicos se apresentaram, na ocasião, tentando a mediação entre as partes, mas presenciaram disparos de bala de borracha, agressões, bombas de efeito moral e spray de pimenta. Uma defensora pública que estava de  plantão se identificou, mas foi empurrada e advertida a se afastar, também presenciando agressões aos cidadãos que estavam ao redor.  Um boletim de ocorrência sobre esta abordagem foi aberto no Segundo Distrito Policial de Fortaleza. A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará informa que cobrará providências da Polícia Militar e abrirá procedimento na Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado do Ceará - CGD, pedindo apuração dos fatos", completa.

Imagens

Durante o ato, O POVO também recebeu imagens mostrando grupos pichando frases como "Fora, Temer" em muros da capital. [FOTO2] 

 

 

Redação O POVO Online com informações do

repórter Wagner Mendes e de Walber Freitas, especial para O POVO
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