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PT usará diálogo de Jucá para tentar anular impeachment

Dilma afirma que a gravação do diálogo entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado "escancara" o que ela chama de "consórcio golpista"

09:41 | 24/05/2016

A primeira queda da gestão Temer, após vazamento de diálogo entre Romero Jucá (PMDB-RR) e Sérgio Machado, será utilizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para anular o processo de impedimento de Dilma Rousseff. A baixa na gestão do governo interino animou os integrantes da oposição, que devem reforçar a ligação do ministro do Planejamento agora licenciado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A estratégia, segundo informações da Folha de S. Paulo, é uma ofensiva para reverter seis votos de senadores contrários a Dilma. ''Se alguém ainda não tinha certeza de que há um golpe em curso, baseado no desvio de poder e na fraude, as declarações fortemente incriminatórias de Jucá sobre os reais objetivos do impeachment e sobre quem está por trás dele eliminam qualquer dúvida", disse a presidente afastada durante a abertura de um congresso de trabalhadores, na noite de segunda-feira, 23.

Dilma afirma que a gravação do diálogo entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado "escancara" o que ela chama de "consórcio golpista". A plateia de cerca de 700 pessoas aplaudiu a presidente afastada de pé e ainda entoou coros de "Fora Temer" e "Não vai ter golpe".

[SAIBAMAIS 4] "Exigimos a demissão de Romero Jucá e a investigação da relação de Temer com esse diálogo", disse o ex-ministro da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini. No Twitter, o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu: "A Operação Lava Jato acabou por se tornar instrumento da escalada golpista".

Para os petistas, Jucá representa no Senado o mesmo que Cunha na Câmara. Réu na Lava Jato, Cunha é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas foi o responsável pelo início do processo de impeachment.

Segundo Renan Calheiros, a reunião da comissão do impeachment foi adiada para a quarta-feira, 25, por causa da antecipação da sessão do Congresso que analisará a revisão da meta fiscal, nesta terça.

"Jucá foi o grande articulador do impeachment no Senado e, agora, aparece dizendo que a montagem do governo Temer previa um pacto para encerrar investigações da Lava Jato", criticou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Uma delação premiada que estaria sendo acordada entre Machado e o Ministério Público pode respingar em Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Em reposta, Renan disse que não tinha conhecimentos sobre o caso.

Redação O POVO Online
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