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Bancada religiosa critica peça apresentada na UFC: "cristofobia" e "insulto"

Um dos trechos da peça, onde ator despeja o próprio sangue na imagem de Cristo crucificado, foi criticada. Ator que organiza ação recebeu ameaças de morte

12:32 | 31/05/2016
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A bancada religiosa da Assembleia saiu em críticas nesta terça-feira, 31, ao monólogo teatral “Histórias Compartilhadas”, apresentado semana passada em seminário na Universidade Federal do Ceará (UFC). Um dos trechos da peça, onde o ator despeja o próprio sangue na imagem de Cristo crucificado, foi considerada “insulto”, “deboche” e até “cristofobia” por deputados.

“Se a peça fosse um padre doutrinando um homossexual, será que a UFC iria achar que é arte? Não, iriam dizer que é homofobia. Pois, da mesma forma, esse evento foi um ataque, uma cristofobia”, disse Dra. Silvana (PMDB). Pastora evangélica que já inclusive ministrou cultos na Assembleia, a deputada classificou o monólogo como “perverso e absurdo”.

Já o deputado Carlos Matos (PSDB), ligado ao movimento católico Shalom, afirmou que apresentará requerimento convocando representantes da UFC para prestar esclarecimentos sobre a peça. Os apresentadores de programas policiais Ely Aguiar (PSDC) e Ferreira Aragão (PDT) também criticaram a peça, com o segundo a classificando como “um crime”.

[SAIBAMAIS 2]Histórias Compartilhadas

Organizada pelo coletivo Outro Grupo de Teatro, o monólogo Histórias Compartilhadas levanta uma discussão sobre a transexualidade masculina através de depoimentos reais. Ator que organiza a peça, o cearense Ari Areia explica que o segmento com a imagem de Cristo é forma de aproximar o público do peso da existência de "meninos nascidos em corpos de meninas".

“É uma imagem chocante, mas é nessa proposta do soco no estômago que a gente discute a moral de algumas pessoas”. Depois da repercussão do caso, o ator registrou Boletim de Ocorrência após receber uma série de ameaças de morte. “As pessoas disseram muitas coisas ruins, como ‘marquei seu rosto, seus dias estão contados’. Ou que eu deveria ser fuzilado”. Parlamentares não comentaram as ameaças.

Sobre as críticas dos deputados, Ari Areia diz ser “muito complicada” a tentativa de “criminalizar uma obra artística". “Como se houvesse um assunto X ou Y que não pudesse ser tocado. Ameaçar judicializar a discussão, chamar para prestar esclarecimentos”, diz. Ele destaca ainda que, conforme O POVO mostrou, o trabalho é independente, sem qualquer financiamento federal, estadual ou municipal.

“É claro que quando você desloca um signo religioso do seu lugar de culto, levando ele para outra circunstância de discurso, existe ali uma profanação. É o mesmo que acontece com o crucifixo que enfeita o plenário (da Assembleia). Existe profanação até na mistura entre esfera política e religiosa (...) Estamos, eu e estes deputados religiosos, no mesmo grupo de profanadores”.

"Doutrinação LGBT"

Parlamentares religiosos da Assembleia têm mostrado aumento de articulações em torno de temas polêmicos nos últimos meses. No início de maio, os parlamentares retiraram trechos que previam o combate à discriminação contra homossexuais em escolas do Plano Estadual de Educação do Ceará. Quase os mesmos parlamentares que cobra punição à UFC pela peça de teatro, o grupo acusa os trecho sde serem "doutrinação" de LGBTs.

Redação O POVO Online
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