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Gleisi tenta anular no STF indiciamento pela PF

20:20 | Abr. 04, 2016
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A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) ajuizou nesta segunda-feira, 4, no Supremo Tribunal Federal (STF) uma reclamação para tentar anular seu indiciamento pela Polícia Federal por envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Segundo a defesa da petista, não cabe à autoridade policial indiciar autoridades com foro privilegiado na Suprema Corte.

Os advogados Rodrigo Mudrovitsch e Verônica Abdalla, que assinam o documento, afirmam que o delegado Thiago Delabary, da Polícia Federal, não dispõe de poderes ilimitados para poder indiciar um parlamentar federal sem usurpar a competência do STF.

"A autoridade policial cometeu o disparate de promover o indiciamento da reclamante, senadora da República, com foro por prerrogativa de função perante este Excelso Pretório", alegam. Segundo o ofício, Delabary cometeu "flagrante usurpação de competência".

A senadora e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento, no governo Lula, e Comunicações, na gestão de Dilma), foram indiciados na última quarta-feira por corrupção passiva, após conclusão que o casal recebeu R$ 1 milhão de propina oriundo de contratos oriundos da Petrobras.

O valor foi utilizado para custear as despesas da eleição de Gleisi ao Senado em 2010. Segundo a PF, Bernardo teria solicitado a quantia ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, por intermédio do doleiro Alberto Youssef. Também foi indiciado o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba.

Gleisi e Bernardo já são investigados pelo STF em um inquérito que tem como base as mesmas suspeitas. As apurações começaram a partir da delação premiada de Paulo Roberto Costa à Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi confirmada por Youssef.

Depois de eleita em 2010, Gleisi se licenciou do Senado no começo de 2011 para assumir o cargo de ministra chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff - cargo que ocupou até o começo do ano, quando saiu para disputar o governo do Paraná. A petista ficou em terceiro lugar na disputa, com 14,9% dos votos, e voltou para o Senado após a derrota.

Na última sexta-feira, a senadora se defendeu da acusação de que recebeu dinheiro desviado da Petrobras na tribuna do Senado. Ela negou envolvimento no esquema de corrupção, e tem afirmado que a Polícia Federal vem cometendo excessos.

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