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Dilma se diz injustiçada e critica Temer por "conspiração aberta"

Afirmando que o processo de impeachment é na verdade uma "eleição indireta", Dilma disse ocorrer hoje uma "violência" contra a verdade e a democracia

16:49 | 18/04/2016
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Em seu 1º pronunciamento após a Câmara aprovar o pedido de impeachment, Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira, 18, ser “estarrecedor” que um vice-presidente “conspire abertamente” contra a presidente. A presidente afirmou ainda que o governo terá diálogo "totalmente diferente" com senadores, e que não deve apostar na redistribuição de cargos para conquistar votos.

Afirmando que o processo de impeachment é na verdade uma “eleição indireta”, a presidente disse ocorrer hoje uma “violência” contra a verdade e a democracia. “Não se pode chamar de impeachment o que é uma tentativa de eleição indireta. Isso se dá porque aqueles que querem ascender ao poder não tem votos para tal. Além disso, acredito que é sobretudo estarrecedor, que um vice-presidente no exercício do seu mandato, conspire contra a presidente abertamente".

"Injustiçada"

A presidente disse ainda que se sentiu “injustiçada” e “indignada” com o resultado da votação da Câmara, afirmando que não cometeu qualquer crime de responsabilidade. Ela ainda esclareceu que parlamentares que possuíam cargos e votaram pelo impeachment não voltarão ao governo.

Ela disse ainda achar "estranho" que o processo do impeachment contra ela, "que não possui qualquer denúncia de enriquecimento ilícito", esteja sendo conduzida por "gente com conta no exterior", se referindo ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Na manhã desta segunda, Dilma se reuniu com 23 deputados que votaram contra o processo de impeachment. Às 16h, a presidente se reuniu com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Existe ainda expectativa de que a presidente receba o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) ainda nesta segunda.

Fala de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff reafirmou que o processo não tem base de sustentação, repetindo que não cometeu crime de responsabilidade. Dilma contou que assistiu a todas as intervenções dos deputados durante a votação e não viu “uma discussão sobre o crime de responsabilidade, que é a única maneira de se julgar um presidente no Brasil”.

“Injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa, mas também quando, de uma forma absurda, se acusa alguém por algo, primeiro, que não é crime, e segundo, acusa e ninguém se refere a qual é o problema”, disse.

Recorrendo à Constituição, a presidenta disse que o impeachment está previsto, mas “é necessária existência de crime de responsabilidade, para que a pessoa possa ser afastada da Presidência da República”.

Ao repetir várias vezes a palavra injustiça, Dilma disse que poderia bater em apenas uma tecla, de que não há crime, mas afirmou que é importante porque “é a tecla da democracia”.

"Os atos pelos quais me acusam foram praticados por outros presidentes antes de mim e não foram considerados atos ilegais ou criminosos. Portanto, quando me sinto indignada e injustiçada, é porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. Atos baseados em pareceres técnicos. Nenhum deles beneficia a mim diretamente. Não são atos praticados para que eu enriquecesse indevidamente", afirmou.

Fazendo menção indireta ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, ela afirmou que “aqueles que têm conta no exterior” presidiram o processo. Ela declarou que possui a “consciência” que não há ilegalidade nos atos que assinou e motivaram o pedido de impeachment.

"Não os fiz ilegalmente e baseado em nenhuma ilegalidade. Tenho certeza que sabem que é assim. Todos sabem que é assim", disse.

Redação O POVO Online e Agência Brasil
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