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Além do caso da Petrobras, outros escândalos abalam imagem de 'pura' da Noruega

14:35 | 25/01/2016
Há poucos meses, um jornal norueguês fez um teste. Deixou 20 carteiras com dinheiro na rua, em diferentes partes de Oslo. Do total, 15 foram devolvidas à polícia. Contos sobre a honestidade norueguesa fazem parte da literatura europeia desde o século 19, como uma espécie de característica intrínseca da população. Para analistas, servia como uma utopia escandinava, com sociedades quase perfeitas e que, ano após ano, aparecem no topo dos rankings de locais com as menores taxas de corrupção.

Mas, quando a executiva Siri Hatlen, da Sevan, interrompeu sua caminhada pelas montanhas da Noruega em junho de 2015 para escutar a caixa de mensagens de seu celular, recebeu o recado de seu advogado apontando que o nome da empresa havia aparecido nas delações premiadas da Operação Lava Jato. Ela retornou para o escritório e montou uma estratégia para blindar as ações de sua companhia.

À reportagem, Hatlen confirmou que, diante dos resultados da investigação, decidiu "dar as informações para a Justiça". "Somos uma empresa cotada na Bolsa e dependente de uma boa reputação", comentou. "Temos zero tolerância quando se trata de corrupção", insistiu. "Por isso informamos as autoridades e iniciamos nossa própria investigação assim que soubemos que um ex-funcionário da Sevan Marine estava sob investigação", indicou. Ela ainda insiste que a empresa matriz, a Sevan Marine, não tem qualquer relação com a Petrobras desde 2011 e que é a Sevan Drilling a única sob investigação.

Entre os especialistas, o caso é considerado "emblemático". "Isso tem sido um sinal de alerta para o país", constatou Guro Slettemark, chefe da entidade Transparência Internacional na Noruega. Ao receber a reportagem, ela apontou que, de fato, a corrupção "não faz parte da vida diária da sociedade norueguesa". Mas alertou que empresas precisam ter responsabilidade sobre os agentes e intermediários que contratam no exterior.

Nos últimos meses, além do caso da Petrobras, dois outros escândalos de corrupção mexeram com o país. Num deles, a empresa estatal de fertilizantes Yara é suspeita de pagar propinas na Líbia. Já a também estatal Telenor é acusada de pagar propinas no Uzbequistão.

Todos eles caíram nas mãos de Marianne Djupesland, a procuradora que se transformou em símbolo do combate à corrupção. Enquanto recebia a reportagem, ela não disfarçava que seu departamento estava em plena expansão.

"A questão da Petrobras entrou no radar político do governo. A diferença é que nossas instituições são sólidas e as investigações são de fato independentes", disse o ex-chanceler norueguês Espen Eide.

Em novembro, o príncipe norueguês Haakon Magnus liderou uma comitiva de empresários ao País e insistiu que os negócios entre os dois países vão continuar.

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