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Mesmo com decisão do STF, derrota na comissão foi cabal para governo, diz Aécio

12:35 | 09/12/2015
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta quarta-feira, 9, que o governo deve ter se "assustado" com o resultado da votação secreta ontem que elegeu uma chapa pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff para a comissão especial da Câmara que apreciará o impedimento da petista. Na eleição realizada ontem à noite, foram 272 votos para a chapa favorável ao afastamento da petista e 199 para a chapa governista.

O tucano classificou o resultado como uma derrota "cabal" e "acachapante" para o governo, independente da decisão posterior do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a instalação do colegiado até a próxima quarta-feira (16). Segundo ele, não surtiu efeito a ação do governo de distribuir cargos - "a sua marca mais forte" - para ter votos da base.

"Acho até que o governo, que ontem corria para (votar) o processo de impeachment, agora deve estar se acautelando para fazer as contas, porque não teve sequer 200 votos numa votação secreta. Imagine quando for numa votação aberta e o parlamentar tiver sendo pressionado pela sua base", disse Aécio, em entrevista no Senado. Para Dilma ser afastada pela Câmara são necessários 342 votos.

O presidente do PSDB disse não considerar que houve uma interferência do STF após a Corte sustar, por meio de liminar do ministro Luiz Edson Fachin, a instalação da comissão da Câmara. Após se reunir com o líder tucano na Casa e ex-procurador da República, Carlos Sampaio (SP), para conversar sobre a decisão do STF, ele afirmou que o partido entrará como "amicus curiae" (parte interessada) na ação que discute no Supremo o rito do impeachment no Legislativo.

Aécio destacou que há décadas a votação para a eleição de comissões é feita de forma secreta. Sampaio afirmou que o regimento interno da Câmara prevê essa modalidade de votação para impedir a interferência do governo em decisões internas do Congresso. "Há 20 anos qualquer eleição é secreta", disse o líder tucano.

Recesso

O presidente do PSDB repetiu a defesa de se antecipar, de 1º de fevereiro para 15 de janeiro, a volta dos parlamentares do recesso para discutirem e votarem o impeachment de Dilma. Ele disse que essa é uma posição de "equilíbrio" entre a posição inicial do governo - de não te recesso - e a da oposição - que defendia o retorno dos trabalhos só em fevereiro.

"Quando voltarem para o Congresso, os parlamentares estarão mais sintonizados com o sentimento do Brasil, que não é da permanência da presidente Dilma", disse o senador.

Inflação

Aécio afirmou que o resultado do IPCA - que ultrapassou a barreira dos 10% no acumulado de 12 meses - demonstra a absoluta incapacidade de o governo Dilma conduzir a economia. O resultado, divulgado hoje pelo IBGE, mostrou uma aceleração em novembro, de 1,01% no mês passado - ao longo de 12 meses o índice atingiu a marca de 10,48%.

"Estamos passando pela pior das equações: juros na estratosfera - hoje 60 milhões de brasileiros estão endividados -, a inflação ultrapassando 10% e o desemprego alcançando quase 10%, com 2 milhões de postos de trabalho fechados desde a última eleição. Esse é o desfecho final da tragédia que foi o governo do PT nos últimos anos", criticou.

Questionado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se a elevação da Selic em janeiro, conforme tem se especulado no mercado, ajudaria a debelar a inflação, o tucano disse que a medida não surtiria mais efeito. "O Brasil vive nos últimos meses uma crise de credibilidade e de confiança. Enquanto não houver um governo que inspire credibilidade e confiança como um todo, vamos continuar tendo os piores indicadores econômicos da história econômica", disse.

Para o tucano, a crise não é mais econômica ou moral, mas sim social. Segundo Aécio, a gestão petista tem punido os mais pobres, justamente aqueles, em sua opinião, que "o governo do PT - no seu discurso populista e demagógico - diz defender". Ele disse que a inflação pune, primeiro, as pessoas que o governo tentou fazer de "biombo eleitoral".

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