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Valor de propina era tratado na Petrobras, diz executivo

15:05 | 03/12/2014
O delator da Operação Lava Jato Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, afirmou à Polícia Federal que as negociações de pagamento de propina eram feitas também na sede da Petrobras. Em depoimento prestado no dia 29 de outubro à PF, como parte do acordo de delação firmado pelo executivo com o Ministério Público, Mendonça diz que conversava por telefone com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e com o ex-gerente de engenharia Pedro Barusco para marcar encontros.

À PF, o executivo disse que as reuniões eram realizadas na sede da estatal, onde trabalhavam Duque e Barusco, e em locais públicos, como restaurantes e cafés. Entre os estabelecimentos citados estão o restaurante Gero, no Leblon, Alcaparra, no Flamengo, e EskCafé, no Centro. Esses encontros eram promovidos para negociações dos valores a serem pagos e também para a realização de um cronograma e um acompanhamento da realização dos pagamentos de propina.

Mendonça contou ainda que o acompanhamento do pagamento das propinas era feito por uma espécie de "conta corrente", que listava o fluxo dos pagamentos, nome dos projetos, valor da propina acertada, pagamentos efetuados e o saldo de cada um. Tais controles existiam também em papel, mas o documento foi destruído após a deflagração da Operação Lava Jato, em março deste ano.

Os codinomes 'Tigrão', 'Melancia' e 'Eucalipto' voltaram a aparecer nas delações. Eles já haviam sido citados, mas ainda não foram identificados pela PF. Segundo o delator, os codinomes são referentes a três homens que serviam de emissários de Duque e Barusco, responsáveis por retirar os pagamentos feitos por Mendonça. O delator soube apenas descrever fisicamente dois dos emissários, dizendo que um deles era mulato, forte, com idade aproximada de 55 anos e com 1,85 m de altura. O outro, segundo o executivo, era baixo, de pele muito branca e com idade próxima a 60 anos.

No mesmo depoimento, Mendonça revelou que parte das propinas pagas no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras era recebido como doação oficial para o PT. Além disso, a propina vinha de remessas destinadas ao exterior, sendo uma das contas intitulada "Marinelo". Parte da propina era paga também em dinheiro vivo. O PT e Duque, contudo, negam que tenham recebido propina de empreiteiras.

Lava Jato

O depoimento foi prestado após Camargo ter fechado em outubro um acordo de delação com o Ministério Público Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. A própria Toyo Setal também firmou acordo de leniência com o MPF para contribuir com as investigações a fim de desmontar um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras.

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