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Lista de militares com 'vítimas da luta armada' traz erros

17:50 | 11/12/2014
Divulgada pelos clubes militares como resposta ao relatório final da Comissão Nacional da Verdade, uma lista de 126 vítimas fatais das organizações de luta armada durante a ditadura militar tem, pelo menos, sete erros. Um dos "mortos" por cuja alma "roga-se uma prece" em anúncio publicado no jornal "O Globo" deu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo nesta semana. Há ainda na relação três abatidos por policiais e três assassinados por criminosos comuns. Assinam o texto os clubes Naval, Militar e de Aeronáutica. O Clube Naval o defende como correto.

O policial militar aposentado José Aleixo Nunes foi ferido em um ataque da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Ação Libertadora Nacional (ALN) em dezembro de 1970. Levou dois tiros de raspão e sobreviveu. Seu colega, o sargento Garibaldo de Souza, e um taxista, baleados no mesmo episódio, na zona leste paulistana, porém, morreram. Garibaldo está na lista dos clubes.

"Fomos metralhados", contou Aleixo, que aos 67 anos, mora em Marília (SP), e, segundo disse, tem boa saúde. "Fui ferido na cabeça e nas costas." O taxista estava passando pelo local. Aleixo foi para a reserva em 1995.

Não é a primeira vez que o nome de Aleixo é erroneamente incluído entre mortos pela guerrilha urbana. Há quatro anos, estava em uma lista de vítimas fatais dos guerrilheiros divulgada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O militar comandou o DOI-CODI-SP onde tinha o pseudônimo "Dr. Tibiriçá". É acusado por ex-presos políticos de tortura. Rejeita as acusações.

Dois outros integrantes da lista dos clubes militares como vítimas do terrorismo foram alvejados acidentalmente por policiais do DOPS-SP no cerco ao líder da ALN, Carlos Marighela, em novembro de 1969. Eram o protético Friedrich A. Rojhman e a investigadora Stella Morato. Rojhman passava pela Alameda Casa Branca quando a Polícia abriu fogo contra o guerrilheiro, que estava em um Fusca. A policial participava do cerco. Marighela não teve como reagir. Não tinha escolta. Apenas policiais fizeram disparos na ocasião.

O sargento-PM Geraldo Nogueira, lotado no DOI-CODI-SP, morreu por ter sido baleado supostamente durante uma discussão entre os próprios agentes. Também está na lista dos clubes como um dos "126 brasileiros que perderam suas vidas pelo irracionalismo do terror", segundo o anúncio dos clubes.

Em confronto com o assaltante Milton da Silva Marques, em 8 de outubro de 1969, em Santo André, foi baleado mortalmente o PM Romildo Otênio. Antes de morrer, Otênio conseguiu ferir mortalmente Miltinho, apontado como um dos primeiros assaltantes de banco de São Paulo. Outros dois PMs foram mortos por ladrões de banco comuns: Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira.

Processo

O presidente do Clube Naval, vice-almirante fuzileiro naval reformado Paulo Frederico Soriano Dobbin, inicialmente afirmou não saber se o Aleixo vivo era um homônimo. Informado que o policial aposentado fora entrevistado pelo Estado, disse: "Ainda bem". Ele insistiu, porém, que os outros seis foram mortos em confronto com guerrilheiros e descartou que integrantes das forças de segurança tenham matado colegas por engano.

"Não é essa a história que a gente sabe. Não foi fogo amigo não. Foram fuzilados mesmo. Houve reação", afirmou. Ele disse que as fontes dos clubes são os arquivos dos jornais da época. Também descartou que três policiais citados tenham sido mortos por assaltantes. E afirmou que os clubes continuarão a lutar para que a Justiça de Brasília, onde ajuizaram processo, considere ilegal o relatório da CNV.

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