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Imprensa já condenou PT, seja qual for resultado da Lava Jato, diz Lula

20:00 | 10/12/2014
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou nesta quarta-feira o PT a sair da defensiva e ajudar a presidente Dilma Rousseff, que, na sua avaliação, enfrenta uma tentativa de golpe. Na abertura da segunda etapa do 5º Congresso do PT, em Brasília, Lula disse que o partido é a "bola da vez", previu tempos difíceis pela frente e afirmou que ninguém deve pensar agora na eleição de 2018. Lula criticou a elite e os meios de comunicação e pediu aos petistas que não aceitem a pecha de corruptos. "Agora, a bola da vez somos nós", disse, ao falar sobre o escândalo da Petrobras. Para ele, a imprensa já condenou o PT, seja qual for o resultado da Operação Lava Jato.

Diante da plateia formada por 500 petistas, pediu a todos que se transformem em "Dilma" para defendê-la em todos os cantos. "Ninguém aguenta uma passeata um dia sim e outro também. Deixem a mulher trabalhar, gente! Ela tem que se preocupar em governar o País" Ao se referir ao PSDB do senador Aécio Neves, declarou que "eles acham" que a campanha não acabou e foi irônico ao falar sobre a arrecadação dos adversários. "Parece que os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário. São os oprimidos que doam para eles".

Para Lula, a elite não aceita o PT porque o partido cometeu o "crime" de melhorar a vida da população. "Querem sistematicamente destruir o nosso partido. Eles começaram a ficar apavorados com a perspectiva de quinto mandato, mas ninguém tem de pensar em 2018. Eu não sou melhor do que ninguém, mas se enfiar todos eles um dentro do outro eles não são mais honestos do que eu." Na avaliação do ex-presidente, a imprensa já condenou o PT na Operação Lava Jato. "A gente reclama das investigações? Não. A gente reclama da interpretação das investigações. Daqui a pouco vão querer saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no Palácio", afirmou ele.

Lula almoçou hoje com Dilma e se reuniu com deputados e senadores do PT, indicando que terá papel decisivo no segundo mandato de sua afilhada. Diante de um cenário de turbulências na seara política e na economia, o ex-presidente tentou pôr um freio de arrumação na crise, para não deixar a ofensiva da oposição sem resposta. "Estamos preparados para repelir qualquer tentativa golpista no País", disse o presidente do PT, deputado Rui Falcão. "Não podemos permitir que os coxinhas ocupem a Avenida Paulista e a gente não mostre a nossa presença. Nós nascemos na rua e não temos de ter medo de ir para a rua", emendou.

Em um encontro com deputados e senadores, pela manhã, Lula também pediu aos correligionários que ajudem Dilma. No almoço com a presidente não faltaram críticas ao procurador-geral da República Rodrigo Janot, que sugeriu a troca da diretoria da Petrobras, comandada por Graça Foster. Para Janot, a corrupção consome a Petrobras como um "incêndio de largas proporções".

Lula recomendou que os petistas digam exaustivamente que a sigla foi quem mais combateu a corrupção. O ex-presidente também manifestou preocupação com a imagem do PT e orientou os companheiros a não "aceitarem calados" os "desaforos" dos oposicionistas. Na reunião com os parlamentares, ele disse que assistiu recentemente a uma sessão de debates no Congresso onde só a oposição atacava e nenhum aliado defendeu o governo. "Falaram 10 deles e nenhum dos nossos", questionou. Aos petistas, elogiou a mudança da equipe econômica e disse que Dilma acertou na troca dos ministros da Fazenda e Planejamento. "O caminho que ela iniciou foi correto", relatou o petista. Ao ex-presidente, os parlamentares se queixaram da articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso e pediram que Ricardo Berzoini (ministro das Relações Institucionais) assuma em definitivo esse trabalho.

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