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Força-tarefa vai ajudar 'xerife' do mercado dos EUA

09:00 | 20/12/2014
A força-tarefa que apura o esquema de corrupção na Petrobras vai colaborar com as investigações tocadas pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais americano. A pedido da SEC - espécie de "xerife" das empresas que negociam ações da Bolsa de Nova York, entre elas a estatal petrolífera -, procuradores viajarão aos Estados Unidos no início de janeiro para levar informações sobre os inquéritos e ações penais abertos no Brasil.

Além da colaboração com a SEC, os investigadores também vão buscar dados sobre o dinheiro movimentado pelos envolvidos naquele país. Em outra missão, uma equipe viajará à Suíça no fim de janeiro, em busca de dados sobre mais operações financeiras. Em depoimentos prestados em regime de delação premiada, investigados descreveram o caminho dos recursos, apontando offshores e contas abertas no exterior para o recebimento de propinas pagas por empreiteiras e outros fornecedores.

Uma das metas da força-tarefa é obter mais elementos sobre os supostos repasses ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que é ligado ao PT. Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, no último dia 13, esta força-tarefa afirma ter elementos de que, na gestão dele, a diretoria captou R$ 650 milhões em propinas sobre contratos fechados entre 2004 e 2012 com empreiteiras.

Um dos delatores, o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, disse, por exemplo, que, em uma das operações, fez depósitos de US$ 1 milhão para o ex-diretor, numa conta da offshore Drenos, mantida no Banco Cramer, em Lugano. "O beneficiário dos pagamentos na conta Drenos é o próprio Renato Duque", afirmou Camargo.

A partir das informações sobre a movimentação financeira, a força-tarefa pretende oferecer denúncia contra Duque. Embora seja apontado como beneficiário de propinas na estatal, ele não consta como alvo de ações já ajuizadas.

Nos Estados Unidos, a SEC abriu um processo para apurar se a Petrobras descumpriu a lei anticorrupção americana e se o esquema de desvios ocorrido em diversas áreas da companhia prejudicou acionistas. Um dos aspectos em análise é se a empresa não apresentou, em demonstrativos enviados ao órgão, informações financeiras relevantes. Nos Estados Unidos, a estatal é também alvo de ações de investidores, que cobram ressarcimento de perdas provocadas pelos desvios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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