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PT cobra ministério 'qualificado' no 2.o mandato

06:50 | 14/11/2014
Em reunião a portas fechadas para discutir o segundo mandato de Dilma Rousseff, deputados do PT cobraram ontem um ministério mais "qualificado", com mais peso político e maior diálogo da presidente com o partido. Diante dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), os petistas também disseram que o governo Dilma precisa de uma nova "política de comunicação", se não quiser enfrentar mais crise a partir de 2015.

Convocada inicialmente para avaliar como o PT vai enfrentar a candidatura do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), desafeto do Planalto e forte nome para ocupar a presidência da Câmara, a reunião acabou se transformando em um muro de lamentações sobre o relacionamento com o governo. Deputados mostraram preocupação com as incertezas na economia e com a escolha do ministro da Fazenda e disseram que a bancada do PT está isolada e em guerra com o PMDB por defender Dilma sem ter o bônus de ser governo.

"Somos governo, mas precisamos ter mais protagonismo", afirmou o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). "Queremos discutir antecipadamente temas que serão objeto de negociação posterior. Ninguém se importa de comprar briga, desde que seja realmente importante. Muitas vezes defendemos um projeto até o fim e, enquanto isso, o Planalto está negociando mudanças na proposta sem informar a bancada, que fica com imagem ruim."

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) citou como exemplo desse constrangimento o projeto de lei que criminaliza a homofobia, de autoria da colega Iara Bernardi (PT-SP). "O governo mandou tirar isso de pauta porque atrapalhava a relação com os evangélicos. Aí depois veio o Jean Wyllys (PSOL-RJ) e pediu para a Dilma reapresentar. Então o PT abdicou de uma pauta histórica para ajudar na governabilidade e quem ficou bem foi o PSOL", comentou. Na campanha pela reeleição, Dilma não encaixou a proposta no plano de governo enviado ao Tribunal Superior Eleitoral.

Mercadante e Berzoini prometeram mais diálogo daqui para a frente, mas deixaram a reunião antes das críticas mais ácidas. Carvalho defendeu a reforma política como "fundamental" para o PT melhorar sua imagem diante da opinião pública e deputados pregaram a regulamentação dos meios de comunicação. O ministro da Casa Civil, por sua vez, disse que a base aliada não pode se sentir apenas como "apoiadora" do governo. "Tem de se sentir como governo", comentou ele, de acordo com relato de participantes do encontro.

Dilma está na Austrália para participar da reunião do G-20 e disse que fará as mudanças no primeiro escalão em doses homeopáticas, o que também desagradou ao PT. Dos 39 ministérios, 17 são ocupados pelo partido.

"Estamos num momento delicado, com a base aliada inchada. É melhor uma base mais consistente, capaz de assinar uma carta de compromissos com o País, do que esse mata-mata no Congresso. É preferível fazer isso a ficar toda hora negociando ministério", argumentou José Guimarães (PT-CE), um dos vice-presidentes do PT. Na sua avaliação, o governo também necessita "vender" melhor as suas realizações e ter uma política de comunicação mais eficiente, porque muito do que Dilma fez só foi conhecido na campanha.

Esplanada

Dois dias após Marta Suplicy ter deixado o Ministério da Cultura dizendo que Dilma precisa de uma equipe de trabalho que resgate a confiança e a credibilidade a seu governo, principalmente na seara econômica, deputados do PT afirmaram que o partido deve se debruçar sobre suas mazelas pós-eleição e insistir na necessidade de maior peso político na Esplanada.

"Muitos ministros são até desconhecidos", observou Bittar. "É necessário pessoas que tenham maior visibilidade e que dialoguem com o Parlamento". Para Pimenta, o PT precisa se reformular e Dilma não pode mais deixar os movimentos sociais em segundo plano. "Como um partido que está há 12 anos no governo perde quase 20 deputados federais e elege só dois senadores?", perguntou ele.

O presidente do PT, Rui Falcão, pediu apoio ao projeto de lei enviado ao Congresso pelo Planalto, flexibilizando a meta de economia de gastos para pagamento dos juros da dívida pública. Os deputados prometeram votar favoravelmente à manobra do governo, mas disseram ter certeza de que partidos aliados, como o PMDB, cobrarão alto a fatura por avalizar essa proposta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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