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Marta só 'externou opinião' sobre economia, afirma Dilma

08:50 | 12/11/2014
A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 12, que já sabia, antes de embarcar para o Catar, do conteúdo da carta apresentada pela ex-ministra da Cultura Marta Suplicy ao pedir demissão do cargo, com críticas à política econômica. "Eu sabia do conteúdo da carta. Nós acertamos isso antes", afirmou Dilma durante a visita oficial ao país. Ainda segundo a presidente, a demissão de Marta foi acertada há um mês. "Ela não fez nada de errado. Não teve atitude incorreta. Apenas externou uma opinião dela."

A carta de Marta foi entregue à Casa Civil quando Dilma já estava no exterior. Integrantes do Palácio do Planalto disseram que o tom do documento teria surpreendido o governo. A saída da petista já era prevista, mas o recado foi interpretado como uma sinalização de que a petista, magoada com o PT, quis demarcar espaço, além de um sinal de que deseja articular sua disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016.

Além de Marta, que agora reassume seu mandato no Senado, outros ministros vão deixar o cargo. Sobre a reforma ministerial prevista para o segundo mandato, no entanto, Dilma evitou falar em datas. "Não estabeleci prazo. Não vou fazer a reforma imediatamente", disse. "Vou fazer por partes", complementou.

Questionada sobre a possibilidade de começar as mudanças quando retornar do encontro do G-20, na próxima terça-feira, Dilma disse que "nem pensar". "Não tem reforma na terça. Nem pensar. Não dá tempo", afirmou.

Questionada sobre o prazo dado pelo Palácio para a reforma, até terça, Dilma reafirmou que a definição virá dela. "Palácio não fala. É integrado por paredes mudas. Só quem fala sobre reforma é esta modesta pessoa que vos fala."

Visita de Estado

A presidente aproveitou para fazer uma parada técnica no Catar a caminho do G-20, na Austrália. Durante a visita, encontrou o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani e, com a xeica Moza bint Nasser, visitou a Fundação Catar, organização sem fins lucrativos de incentivo à pesquisa, à educação e à ciência.

Dilma viajou acompanhada da filha Paula, do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e do assessor especial Marco Aurélio Garcia. A presidente não comentou o fato de estar hospedada em uma suíte ao custo de R$ 30 mil a diária. O convite de ficar no hotel de luxo foi feito pelo país e a conta foi paga pelo emirado.

Depois da entrevista, a presidente planejava visitar o Museu de Arte Islâmica antes de seguir viagem. Dilma evitou entrar em detalhes sobre o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no G-20. "Não vamos tratar de questões pontuais", afirmou. Será o primeiro encontro bilateral após as denúncias de espionagem americana.

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