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Confira as respostas de Aílton Lopes na sabatina com jornalistas do O POVO

O postulante ao Governo do Estado pela aliança PSol/PSTU/PCB foi entrevistado por um grupo de jornalistas do O POVO

08:10 | 12/09/2014
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O candidato ao Governo do Ceará Aílton Lopes (PSol) foi sabatinado, nesta sexta-feira, 12, por jornalistas do O POVO. Aílton encerrou a série de entrevistas com os postulantes ao Executivo estadual. O psolista tratou sobre temas relacionados à legalização das drogas, homofobia, segurança pública, doações de campanha, dentre outros. “O preconceito caminha ao lado da ignorância”, afirmou Aílton. “As pessoas assumem determinadas posições porque não podem debater e ter acesso a diversas opiniões. Faltam outros pontos de vistas”, defendeu o candidato da aliança Psol, PSTU e PCB.


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Aílton foi sabatinado pelos jornalistas Gualter George, editor executivo do núcleo de Conjuntura; Nathália Bernardo, editora adjunta de Economia; e Demitri Túlio, repórter especial do O POVO.

A partir da segunda-feira, 15, O POVO inicia a série de sabatina com os candidatos ao Senado. A primeira entrevistada será a candidata Raquel Dias (PSTU).

Confira os principais momentos da sabatina:

11h45min
Final da sabatina, despedida:"Aqueles que estão conosco não estão às custas do dinheiro, mas juntos pela causa. Quero agradecer aos militantes que pegam o tempo deles para panfletar, debater conosco. A gente pede que você participe. O voto no 50 é um voto de protesto contra essa política atual. Passe na av. do Imperador para conversarmos sobre política, debatermos. Muito obrigada".

11h35min
"Essas empresas não estão doando por amor", diz Aílton Lopes sobre doações de campanha

Ailton: "O Estado está inchado com gastos de terceirizações. É importante investir na carreira do servidor, que garante estabilidade de funcionalidade da empresa. A saúde é uma política de Estado, não pode ser delegada a terceiros, é uma necessidade. Na Uece, há carência de professores. O governo faz concurso para professores substitutos para cargos de quem se aposentou ou morreu. O governo está fazendo tudo errado, defendemos a contratação de profissionais necessários".

Demitri: "Marina ou Dilma?"

Ailton: "Prefiro minha candidata, Luciana Genro. Eu sou um homem de fé. É a única que tem propostas. No caso das duas não tenho preferências. [...]

Gualter: "O sr. é crítico das grande obras. O que seria tocado?"

Ailton: "Eu zelo muito pelo compromisso que assumimos com as pessoas. Temos posições contrárias ao Acquario e às obras que comprometem regiões, como a Ponte Estaiada. Eles falam que falta dinheiro, mas gastam com essas obras."

Demitri: "Como seria o relacionamento do Psol com a Prefeitura de Fortaleza?"

Ailton: "A prefeitura é uma secretaria do governo, isso não aconteceria mais. O Psol leva o debate a sério, esse outros estão surfando no oportunismo. O Legislativo é pra fiscalizar, falta isso. Quem administra e constrói obras não é o Legislativo, é o Executivo".

Nathália: "O que o sr. defende no âmbito da economia?"

Ailton: "Queremos investimento em pólos culturais, pequeno empreendedor. As micro (empresas) são as que mais geram empregos, na verdade os pequenos é que são grandes. [...] Mesmo com equipamento o trabalhador é contaminado com agrotóxicos, temos que pensar em um desenvolvimento que respeite as relações sociais e o meio ambiente".

11h20min
Demitri: "O sr. diz ser favorável às greves de policiais. A última greve foi armada e custou a segurança da população. Como seriam essas greves, se são uma categoria armada?"

Ailton: "Isso faz parte da desmilitarização. Existem diversas motivações para quebrar esse regime. Essa mesma Polícia da repressão seria responsável pela investigação. A Polícia tem um poder ostensivo e age de forma indiscriminada na periferia. Hoje mesmo saiu o caso do pedreiro espancado até a morte. As chacinas que recorrentemente ocorrem na periferia, é preciso mudar a compreensão da Polícia e da lógica de repressão.[...]  Eles não tinham canal de diálogo, é preciso criar isso. Na educação também, não há renovação nem professores suficientes. O Estado aposta na greve, não é o trabalhador e a trabalhadora, quem investe no caos é o próprio governo. O governo tem que ter uma postura de diálogo. Greve é ruim para o professor, para os filhos e pais dos alunos..."

Nathália: "O problema sa segurança pública é urgente, qual é a solução prática e de curto prazo?"

Ailton: "Investir na cultura é uma solução prática e de curto prazo também. [...] Muitas vezes se prende o adolescente portando droga como se fosse um traficante. Se o Estado trabalha de maneira conjunta, pode haver redução de homicídios a curto prazo, sim. Contratar profissionais não resolve, é uma ilusão de que com mais Polícia resolve. Segurança é eu sair da minha casa sem cerca elétrica, sem precisar de um aparato pra isso."

Gualter: "O que uma Políia sob orientação do Psol faria diferente nas manifestações, como se portar diante daquela situação sem uma Polícia que reprima?"

Ailton: "A Polícia é uma órgão de Estado. A nossa compreensão é de que Polícia não deve ser usada para combater população ou manifestante. O direito de quem queria protestar não foi garantido, isso não é democracia. A maioria dos excessos foi da Polícia, contra a própria imprensa. As favelas sofrem com essa ação todos os dias e esse despreparo da Polícia veio a público.

11h05min
"Não sou melhor por conta de ser gay", diz Aílton Lopes em sabatina

Gualter: "Sua campanha protagonizou o beijo gay, que gerou repercussão e denúncias. Queria discutir essa decisão do ponto de vista eleitoral, colocar essa cena também enfrenta perdas? A possibilidade de agregar votos é pouca. mas para o eleitor indeciso, essa predominância do conservadorismo não pesa, não foi uma má estratégia?"

Ailton: "Nossos objetivos eleitorais estão subordinados aos nossos objetivos políticos. Temos que debater essas questões abertamente. Ninguém pode dizer que negamos nossa posição ou mudamos de ideia, como outros por aí... Quando você sai do armário, você não sai sozinho. Damos oportunidade para que a sociedade possa tomar outras posições. É importante que a gente debata temas, inclusive polêmicos. [...] Os outros não querem saber o que o eleitor pensa, é tanta proporsta miraculosa... que nem quando acreditaram na falácia do Ronda do Quarteirão. Todo tipo de promessa surge agora".

Demitri: "Você seria o primeiro governador declarado homossexual, se eleito. O que muda na forma de governar?"

Ailton: "Quebra um paradigma. Não sou melhor nem pior por isso, isso não afeta a administração. Queremos apenas que a consciência política avance. É uma contribuição".

Demitri: "Como esse tema seria discutido nas escolas?"

Ailton: "As pessoas são gays, lésbicas, bi, trans. A escola tem que reconhecer as diversidades. Tem criança negra e indígena que também sofre preconceito. A escola tem que ser um espaço agregador. [...] A escola tem que acolher a diversidade que existe, não se trata de ensinar orientação sexual, isso não se ensina".

Nathália: "Nós precisamos de uma lei contra homofobia, se nossa Carta já diz que não podemos discriminar?"

Ailton: "Há aqueles que incitam a violência. Garantir na constituição é dar explicidade a esse preconceito de hoje"

Nathália: "No momento em que você foca na causa LGBT, você não esquece outras causas?"

Ailton: "Uma luta não invalida a outra. Defendemos todas as causas, cada um faça da sua vida uma causa. Se houver uma comunidade que se sente discriminada não vejo problema em torná-la explícita. Pra mim, quem pensa diferente pode ser meu aliado, se houver respeito".

10h55min
Em sabatina, Aílton Lopes defende a legalização das drogas

Nathália: "67% dos cearenses querem que a lei do aborto continue como está. O sr. defende a legalização das drogas e do aborto, mas ao mesmo tempo fala em controle. O que o sr. defende? Que o povo mande ou suas ideias?"

Ailton: "O preconceito caminha ao lado da ignorância. Há toda uma carga, inclusive midiática, que não oferecem uma discussão de determinados assuntos. Os movimentos sociais debatem com a sociedade. Eu defender minha convicções não significa que vou impor isso. A gente não está disputando um governo, mas uma outra concepção da sociedade. Cumprimos o debate de temas polêmicos e entendendo que seja feito pela maioria."

Ruy: "É a legalização de toda droga, há controle?"

Ailton: "Sim, é para um controle. A maioria das drogas estão sob o tráfico. O problema delas é a concepção das drogas, há fins terapêuticos e medicinais. A legalização é o controle pelo usuário, na clandestinidade aumenta seu potencial perverso. As pessoas não sabem qual a composição delas na ilegalidade".

Demitri: "Você já usou?"

Ailton: "Eu já tentei usar maconha, mas eu não conseguia porque baixava muito a minha pressão. A gente defende que façam campanhas educativas, sobre o uso excessivo do cigarro, maconha e álcool".

Demitri: "O sr. falava de dinheiro para campanha. Não receberia da Friboi, é dinheiro sujo?"

Ailton: "Evidente que esse dinheiro não poderia ser usado. Essas empresas não estão doando por amor, elas querem algo em troca. São empresas de calçados, querem isenções fiscais. Nós não recebemos, somos contra dinheiro jurídico. É um absurdo ter milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza e tendo campanhas milionárias".

Ruy: "Você não acha que está generalizando?"

Ailton: "Quem mais paga imposto é o trabalhador e a trabalhadora. O Estado é bom para as empresas, a população não tem esse benefício. É uma outra lógica mesmo que queremos adotar. Quando uma empresa financia isso interfere na própria decisão política. Somos coerentes com que nós propomos".

Nathália: "O sr. defende o passe livre para estudantes. Na hora que em que se der gratuidade para desempregados e estudantes não vai causar inflação, não vai subir o preço do pão. Nós vamos arcar com gratuidade para alunos que não necessariamente precisam?"

Ailton: "Não é simplesmente o Estado entrar com seus recursos. É preciso saber sobre a margem de lucros[...] Criou-se um mito de que não é possível. Tudo tem custo, nós estamos estabelecendo prioridades. Não é nossa prioridade dar isenção fiscal para empresas.  Tem gente que acha que o aquário é prioridade. Não é o fim de maneira completa, é que fim vamos dar. São empresas que consomem muita água em pleno período de escassez. Fizeram o Castanhão e todo mundo dependendo de carro-pipa, consumindo água contaminada."

Nathália: "Me parece que podemos pagar o transporte, mas não incentivo fiscais de empresas que disponibilizam empregos?"

Ailton: "Empregos com péssimas condições? Contaminações por agrotóxicos, etc. Eu não defendo esse tipo de emprego..."

10h40min
Aílton critica disparidade entre candidatos para chegar ao eleitor

Ruy: "O que representa a sua candidatura para a política do Ceará, uma vez que a ambição de assumir o governo não passa pela sua cabeça?"

Ailton: "Nosso objetivos são muito maiores do que uma eleição. Se fosse assim faríamos o que os políticos tradicionais fazem, dizem apenas o que o povo quer ouvir. Mas nós queremos disputar valores na sociedade... Nós estamos disputando uma perspectiva de vida, de sociedade e de mundo. As eleições são uma oportunidade para dialogar com a sociedade".

Demitri: "Há tempos essa nova forma era do PT. O que nos leva a crer que essas políticas não vão mudar também?"

Nathália: "Por que o Psol vai ser diferente?"

Ailton: "O que nos move não é um partido, é a causa. Antes apostávamos num partido, mas o fracasso do PT nos levou a uma reflexão. O partido não é o único instrumento, ele pode ser sim falível. Ficamos frustrados depois de dedicar a vida a uma militância, por isso o fundamental é saber que a causa é importante. A Política não pode ser encarada como institucional, só pela procura de cargos. Entendemos essa política como um ato corretivo da sociedade, essa institucional é a que menos nos representa. A disputa de poder não interessa..."

Gualter: "Há um sentimento de mudança das pessoas, mas nas pesquisas não há identificação com o Psol. É  a questão da viabilidade eleitoral?"

Ailton: "O processo eleitoral é muito determinado pelo poder econômico. Isso influencia nas formas de chegar ao eleitor, o espaço não é o mesmo (na TV, por exemplo). É uma desigualdade que inclusive  afeta as pessoas, elas não sabem sobre os candidatos do Psol, não são todos que têm acesso a essa informação".

Acompanhe as sabatinas:

TV O POVO: canal aberto (48); Multiplay (23); Net (24)

Rádio O POVO/CBN: 95,5 (FM); 1.010 (AM)

Na última quarta-feira, 10, a candidata Eliane Novaes (PSB) falou, durante a sabatina O POVO, sobre apoio à comunidade LGBT diante de posicionamentos da presidenciável Marina Silva.

Ela disse ainda que há dinheiro para contratar professores, mas falta vontade política. Na terça-feira, 9, o candidato Eunício Oliveira (PMDB) foi sabatinado e prometeu passe livre para alunos e professoras. Na segunda-feira, 8, Camilo Santana (PT) defendeu escolas para reduzir a violência.

Redação O POVO Online

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