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FHC evita polêmica sobre abastecimento de água em SP

15:10 | 05/08/2014
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) evitou nesta terça-feira, 05, fazer críticas ao governo do Estado de São Paulo, comandado há 20 anos por seu partido, em relação aos problemas de abastecimento de água causado pela estiagem. Ele disse que o Estado enfrenta uma 'seca enorme', falou sobre a imprevisibilidade das condições climáticas e da perspectiva de que a chegada da temporada de chuvas equilibre a situação.

"O governo calcula que (o Sistema Cantareira) terá água para abastecer metade da cidade de São Paulo - a outra metade são outras fontes - até março do ano que vem. Aposta-se que vai chover, mas aposta-se. Não se sabe se vai chover ou não vai chover", comentou o ex-presidente durante palestra sobre desenvolvimento sustentável em evento da Greenbuilding Brasil, uma ONG que visa fomentar a construção de edifícios ecologicamente sustentáveis. O ex-presidente ressaltou que a água é um bem "relativamente escasso" e que "não depende de nós, depende de chover".

Sem fazer comentários sobre a forma como o governador Geraldo Alckmin lida com a crise hídrica no Estado, FHC argumentou que a decisão de não decretar racionamento tem respaldo de técnicos. Ele afirmou, no entanto, que há necessidade de se pensar em investimentos de médio prazo e em processos de reutilização da água. "Aqui (em São Paulo), o que precisa é fazer mais, mas foi feito muita coisa. É que no futuro vai ter de interligar mais as bacias, tem de olhar para o longo prazo. Mas isso não é uma coisa que se faça do dia para a noite, precisa de mais planejamento. O que se pode fazer, e imagino que o governo já esteja fazendo, é pensar no reúso da água."

O ex-presidente apoia o programa de bônus do governo do Estado para quem economizar água no período de crise e lembrou dos tempos de racionamento de energia durante seu governo quando, segundo ele, "parou de chover de repente". FHC disse que o racionamento e o incentivo à economia evitaram o blecaute no início da década passada, assim como São Paulo evita no momento o "racionamento imposto". "Nós custamos a entender que boa parte dos problemas não diz respeito a fazer novas construções, mas a poupar o que já existe."

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