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Três pessoas são indiciadas por erros na construção da adutora de Itapipoca

Segundo o inquérito, oito possíveis erros podem ter resultado no rompimento de diversos trechos da adutora recém-construída pelo Governo do Estado

17:05 | 05/03/2014
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O resultado do inquérito policial instaurado para apurar os erros que causaram o rompimento na adutora de Itapipoca (a 147,3km de Fortaleza) foi divulgado nesta quarta-feira, 5. Três pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil, acusadas de prevaricação e falsidade ideológica. Segundo o inquérito, oito possíveis erros podem ter resultado no rompimento de diversos trechos da adutora recém-construída pelo Governo do Estado.

As informações foram divulgadas pelo delegado Everardo Lima, responsável pelo caso, da Delegacia de Crimes Contra a Administração e Finanças Públicas. Foram indiciados o dono da PWE Engenharia, Francisco Rodrigues de Lima, o engenheiro residente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), José Edvan Dias Arruda, e o engenheiro residente da empresa Consultores para Obras, Barragens e Planejamento (Coba), Jorge Suraty, responsável pela fiscalização da obra.

Erros na obra

Entre os oito principais erros na construção da adutora, o delegado destacou a ausência da construção de um colchão de material arenoso, que foi pago pelo Estado, mas não executado de fato. Pelo erro, foram indiciados o dono da PWE e o engenheiro da Coba. De acordo com o Everardo Lima, o fato de a PWE e a Coba terem incluído a obra na planilha de custo sem a real execução se qualifica como crime de falsidade ideológica.

O engenheiro José Edvan Dias, da Sohidra, é acusado de prevaricação, crime praticado por funcionário público contra a Administração Pública.

A partir de depoimentos colhidos pela Polícia Civil, foi constatado que os responsáveis pela obra utilizaram a pá da retroescavadeira para bater na tubulação e encaixá-la, o que deve ser feito manualmente. Segundo o delegado, a ação pode ter ocasionado a ruptura da junta elástica da tubulação.

[SAIBAMAIS 3]

Material defeituoso
A Polícia solicitou informações à PWE sobre os tubos utilizados na adutora. O inquérito concluiu que foram comprados 3.415 tubos pela empresa sem que haja registro de que nenhum deles tenha sido devolvido por danos causados durante o transporte do material do estado do Paraná para o Ceará.

“Isso causou estranheza. Ou foi muita sorte ou não houve a checagem da tubulação”, afirmou o delegado Everardo Lima. Em comparação, ele destacou que a empresa responsável pela conclusão da obra, a Primor Construções Ltda – que assumiu após falência da PWE –, comprou 252 tubos e devolveu 126 em razão de danos por transporte, o que, segundo o delegado, é normal para o tipo de obra.

O resultado do inquérito será enviado na quinta-feira, 6, para o Ministério Público de Itapipoca, que terá cinco dias uteis para se manifestar.

Adutora de Itapipoca
A adutora defeituosa - que tem 32 quilômetros e leva águas do açude Gameleira para Itapipoca - está em construção desde 2011. A obra tinha previsão para o fim daquele ano, mas foi adiada após falência da PWE. Orçada em R$ 18 milhões, a adutora rompeu e teve série de vazamentos antes mesmo da inauguração, prevista para o final de dezembro de 2013.

A polêmica diante dos problemas da obra levou inclusive o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros) a acompanhar os trabalhos de reparo e, até mesmo, auxiliar nas obras. Na época, o presidente da Cagece e coordenador de manutenção da obra, André Facó, confirmou uma série de problemas básicos identificados durante os reparos.

Em um dos casos, por exemplo, a empresa responsável teria apenas “encostado” parte da tubulação que transmitiria a água, sem a devida soldagem dos canos. Outro problema confirmado pela Cagece foi a existência de trechos de tubulação com espaçamento entre os canos - inviabilizando transferência d’água em alta pressão. Além disso, trechos da obra foram ainda construídos em cima de pedras, quando o adequado seria areia para construções.

Confira coletiva com conclusões do inquérito policial:

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Redação O POVO Online
com informações do repórter Bruno Pontes

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