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PSD mineiro pede impugnação da coligação com PT

16:58 | 13/07/2012
A interferência do prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para que o partido apoie a candidatura do ex-ministro Patrus Ananias (PT) à prefeitura de Belo Horizonte levou a direção do partido na capital a apresentar nesta sexta à Justiça Eleitoral um pedido de impugnação da coligação em torno do petista. O pedido foi apresentado pelo secretário-geral do PSD mineiro, Alexandre Silveira, que ocupa cargo de secretário no governo estadual, comandado por Antonio Anastasia (PSDB). Os tucanos, liderados pelo senador Aécio Neves (MG), assumiram o comando da campanha do prefeito Marcio Lacerda (PSB), principal adversário de Patrus na eleição de outubro, após racha entre PT e PSB no fim do mês passado.

O PSD, que integra a base do Executivo mineiro, havia decidido apoiar Lacerda, mas o presidente nacional da legenda, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, atendeu pedido da presidente Dilma Rousseff e nomeou comissão para intervir no partido e apoiar a candidatura de Patrus. Segundo Silveira, a medida foi "arbitrária", "ilegítima", "amoral", "aviltante" e "truculenta" porque, na avaliação do grupo do PSD ligado a Aécio, apenas a Executiva Nacional do partido poderia tomar a decisão. "É uma tentativa de intervenção completamente irregular. O Kassab não reuniu a executiva para decidir", afirmou o secretário.

A decisão de Kassab levou o vice-presidente do PSD, o ex-deputado Roberto Brant, a se desfiliar do partido. Brant atua na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) como assessor da senadora Kátia Abreu, 1ª vice-presidente do PSD e também crítica da decisão do prefeito paulistano. Alexandre Silveira afirmou que os dois vão depor como testemunhas na ação. "Eles se colocaram à disposição", declarou o secretário, que não viu problema em praticar ato de campanha em horário de trabalho. "Sou secretário de Estado. Às vezes, trabalho até as 23h. Portanto, não há problema em estar aqui (na Justiça Eleitoral) às 15h", disse.

Apesar de o ato ter sido convocado como apresentação de pedido de impugnação da candidatura petista, o documento pede apenas a impugnação da coligação por ter incluído o PSD - que também consta no pedido de registro de Lacerda. Porém, a coligação do prefeito também incluiu o PCdoB na sua aliança, apesar de o partido ter declarado apoio a Patrus. No caso do PSD, a principal disputa é pelos dois minutos a que o partido tem direito na propaganda eleitoral gratuita. A decisão sobre qual coligação terá as legendas, porém, será da Justiça, após consulta às direções dos partidos.

A formalização do apoio a Patrus foi feita pela comissão de intervenção nomeada por Kassab, formada pelo presidente do PSD mineiro, Paulo Simão, pelos deputados federais Walter Tosta, Diego Andrade e Ademir Camilo e por um advogado do partido. Nesta sexta, além do pedido de impugnação da coligação, Silveira distribuiu um manifesto contra a intervenção, mas assinado apenas pela bancada estadual do PSD. Os oito deputados federais da legenda eleitos por Minas se recusaram a assinar o documento.

Homenagem

O governo mineiro vai homenagear ao menos três políticos de partidos da base da presidente Dilma Rousseff que decidiram apoiar a candidatura do prefeito Marcio Lacerda. O deputado federal Eros Biondini (PTB), inclusive, renunciou à candidatura própria momentos antes do fim do prazo do registro na Justiça Eleitoral para declarar apoio ao socialista, que antes criticava. Além dele, vão receber a Comenda do Dia de Minas na próxima segunda-feira (16) o ex-deputado Mário Heringer (PDT), que havia sido escolhido como vice do deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) antes de os peemedebistas decidirem apoiar a candidatura do PT e o deputado estadual Gustavo Valadares (PSD), que contesta decisão da direção nacional da legenda e declara apoio a Lacerda.

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