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Conflito entre MST e jagunços deixa 12 feridos no Pará

09:15 | 22/06/2012
Um confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seguranças da Fazenda Cedro, do Grupo Santa Bárbara - pertencente ao banqueiro Daniel Dantas -, em Marabá, no sudeste do Pará, deixou pelo menos 12 feridos na manhã de ontem. Segundo informações da Polícia Civil e de hospitais da região, até o início da noite três vítimas, que foram atingidas por disparos de arma de fogo, permaneciam internadas.

Um homem levou dois tiros na barriga e outro um tiro na perna. Uma criança de dois anos foi atingida por um tiro de raspão na cabeça. A identidade das vítimas não foi divulgada. Todas são sem-terra, diz o MST.

A fazenda foi ocupada há três anos pelo movimento, que promoveu ontem um protesto na área. Em nota, o Grupo Santa Bárbara acusou o MST de invadir a sede da propriedade com "300 homens fortemente armados, destruir parte do imóvel e provocar pânico entre os funcionários". Seguranças teriam reagido.

O clima era tenso na região. Depois que os feridos foram levados para Eldorado dos Carajás, distante 50 quilômetros do local do conflito, o MST interditou a rodovia PA-155 em frente à fazenda, provocando grande engarrafamento de veículos. O secretário de Segurança do Estado, Luís Fernandes, determinou o envio de policiais militares e civis para o local, enquanto a Polícia Civil de Marabá abriu inquérito para apurar o caso. Policiais apreenderam armas dos seguranças da fazenda.

De acordo com a versão do coordenador estadual do MST, Ulisses Manaças, cerca de 500 sem-terra participavam em frente da fazenda de uma manifestação "pacífica" para marcar o dia de mobilização global em defesa do meio ambiente, alusivo também à cúpula dos povos e à Rio+20, quando foram atacados por "pistoleiros".

Manaças disse que a fazenda foi escolhida como local do protesto porque é o símbolo do "modelo de utilização de agrotóxicos e da grilagem de terra".

Ele assegurou que os manifestantes não chegaram a entrar na sede da fazenda e que o ato de protesto ocorria "apenas na rodovia", embora tenha admitido que o MST mantém há três anos, no interior da propriedade, um acampamento com mais de 300 famílias. "Os pistoleiros começaram a atirar sobre os trabalhadores", afirmou Manacás. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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