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Trump surpreende e demite John Bolton, assessor de Segurança Nacional

00:02 | 12/09/2019
Presidente americano justifica demissão mencionando fortes discordâncias. No cargo há pouco mais de um ano, Bolton foi o primeiro enviado de Trump a Bolsonaro e defendeu abordagem linha-dura dos EUA com adversários.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (10/09) que pediu ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, que renunciasse ao cargo, em meio a fortes discordâncias entre os dois em várias questões políticas. "Informei a John Bolton ontem à noite que seus serviços não são mais necessários na Casa Branca. Discordei fortemente de muitas de suas sugestões, assim como outros na administração, e portanto pedi a John sua demissão, que me foi dada nesta manhã", escreveu Trump no Twitter. O presidente ainda agradeceu ao funcionário por seus serviços e informou que nomeará um novo assessor de Segurança Nacional na próxima semana. Também no Twitter, Bolton deu uma versão diferente sobre a demissão: "Ofereci minha renúncia na noite passada, e o presidente Trump disse: 'Vamos falar sobre isso amanhã'." O anúncio vem como uma surpresa, cerca de uma hora depois de a Casa Branca ter divulgado um comunicado afirmando que Bolton participaria de uma reunião com os secretários de Estado, Mike Pompeo, e do Tesouro, Steven Mnuchin. Segundo a agência de notícias Associated Press, um republicano que acompanhava as divergências entre Trump e Bolton afirmou que a oposição do assessor a uma possível reunião entre o presidente e o líder iraniano, Hassan Rohani, foi um fator precipitante na demissão. Em meio às tensões em alta entre Washington e Teerã, o presidente francês, Emmanuel Macron, tem tentado intermediar esse encontro, possivelmente à margem da próxima Assembleia Geral da ONU, na esperança de salvar o acordo nuclear iraniano do qual os EUA se retiraram. Bolton é o terceiro assessor de Segurança Nacional de Trump, tendo assumido o cargo em abril de 2018 no lugar de H.R. McMaster. Desde então, ele tem pressionado o presidente a adotar uma abordagem mais dura na política externa, em relação a países como Irã, Rússia, Afeganistão e Venezuela. Bolton ainda foi cético sobre a reaproximação entre os EUA e a Coreia do Norte. Sabe-se que o assessor também foi contra a decisão de Trump no ano passado de retirar as tropas americanas da Síria. Ele liderou uma silenciosa campanha dentro do governo e com aliados no exterior na tentativa de persuadir Trump a manter as forças no país do Oriente Médio, a fim de combater o que restou do "Estado Islâmico" (EI) e a influência iraniana na região. Bolton ainda se opôs à ideia do presidente de negociar com lideranças do Afeganistão e do Talibã em busca de um tratado de paz na região, numa reunião que aconteceria no fim de semana mas acabou sendo cancelada por Trump de última hora. O próprio presidente já teria brincado sobre a imagem de Bolton de ser um belicista, tendo afirmado durante uma reunião no Salão Oval que "não há uma guerra da qual John não goste". Os últimos meses também foram marcados por divergências entre Bolton e Pompeo, um dos funcionários da Casa Branca mais leais a Trump, em relação a temas como o desejo do presidente de negociar com alguns dos atores mais desagradáveis do mundo. Bolton foi o primeiro membro do governo Trump a estabelecer contato com o presidente Jair Bolsonaro, mesmo antes de ele assumir o Planalto. Em novembro de 2018, logo após a vitória do brasileiro nas eleições, o assessor da Casa Branca visitou Bolsonaro em sua casa no Rio de Janeiro para um desordenado café da manhã. Na ocasião, o então presidente eleito chegou a bater continência para o americano. Mais recentemente, Bolton participou de uma reunião com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente e possível indicado a embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Eduardo visitou a Casa Branca em setembro deste ano com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, afirmou que "muitas, muitas questões" levaram à decisão de Trump de demitir seu assessor de Segurança Nacional, mas não deu mais detalhes. Entre os cotados para assumir o cargo estão Stephen Biegun, enviado de Trump para a Coreia do Norte, e John Sullivan, vice-secretário de Estado. EK/ap/dpa/rtr/ots ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | App | Instagram | Newsletter
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