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Macron conquista maioria absoluta nas legislativas na França

15:37 | 18/06/2017
Aliança do presidente francês garante mais de 350 assentos dos 577 da Assembleia Nacional, segundo dados oficiais. Políticos como Valls, Le Pen e Mélenchon são eleitos. Abstenção no segundo turno é recorde.A aliança formada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, foi a grande vencedora das eleições legislativas na França neste domingo (18/06), conquistando a maioria absoluta do Parlamento.

O partido centrista de Macron, República em Marcha! (LREM, na sigla em francês), junto com o aliado Movimento Democrático (MoDem), conquistou 351 cadeiras das 577 da Assembleia Nacional – bem acima das 289 necessárias para garantir a maioria parlamentar.

O resultado redesenha a paisagem política da França e representa um golpe para os partidos tradicionais – socialistas e conservadores – que vinham se alternando no poder há décadas, até a eleição do candidato centrista, em maio passado.

As agremiações que até há pouco dominavam o panorama político francês ficaram relegadas à condição de coadjuvantes no novo governo. O Partido Socialista, que esteve no poder nos últimos cinco anos, foi o maior perdedor das eleições legislativas, caindo de 280 cadeiras na Assembleia para apenas 29.

A legenda de centro-direita Os Republicanos se afirmou como o principal partido de oposição, apesar de conquistar apenas 131 assentos – em comparação aos mais de 200 que possuía na legislatura anterior.

O partido esquerdista França Insubmissa ficou com 17 cadeiras, elegendo o seu líder, Jean-Luc Mélenchon, cuja candidatura à presidência ganhou força na reta final do primeiro turno da eleição presidencial, ameaçando os favoritos.

Por sua vez, o partido populista de direita Frente Nacional conquistou apenas oito lugares – um deles para a sua líder, Marine Le Pen, que concorrera com Macron no segundo turno do pleito presidencial, no mês passado. A legenda ficou bem abaixo do objetivo de chegar aos 15 assentos na Assembleia Nacional.

Le Pen criticou o sistema eleitoral francês, afirmado ser "escandaloso que um movimento como o nosso, que ganhou 3 milhões de votos no primeiro turno das eleições legislativas, não consiga formar um grupo na Assembleia Nacional".

O líder dos socialistas, Jean-Christophe Cambadélis, anunciou sua renúncia ao cargo, afirmando estar na hora de uma mudança na legenda. "O triunfo de Macron é incontestável, a derrota da esquerda é inevitável, e a derrota do Partido Socialista é irrevogável", declarou.

Reações europeias

O recém-eleito presidente francês, defensor do fortalecimento da União Europeia (UE) e da zona do euro, foi parabenizado por líderes do bloco econômico após a vitória deste domingo.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, celebrou a "clara maioria parlamentar" conquistada pela aliança de Macron e disse que espera continuar a "boa cooperação entre França, Alemanha e Europa", segundo mensagem do porta-voz do governo em Berlim, Steffen Seibert, no Twitter.

Já o chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou que a vitória do República em Marcha! passa uma mensagem de "otimismo, estabilidade e confiança". "Meus parabéns", escreveu o líder na mesma rede social, dirigindo-se a Macron.

Recorde de abstenções

O movimento de Macron entrou na corrida eleitoral prometendo dar cara nova ao Legislativo francês, trazendo candidatos que vinham, em grande parte, da sociedade civil, além de estarem igualmente divididos em homens e mulheres.

Eleitores franceses foram às urnas neste domingo com o intuito de preencher 573 dos 577 assentos da Assembleia Nacional, já que quatro nomes já haviam sido decididos durante o primeiro turno, no domingo passado.

Apesar de conquistar a maioria absoluta, a aliança de Macron pode ver seu mandato fragilizado pela alta abstenção nas urnas. Segundo projeções, apenas 43% dos eleitores marcaram presença no segundo turno, um recorde desde o início da Quinta República, em 1958. Havia 47 milhões de eleitores inscritos, mas o voto não é obrigatório.

A maioria absoluta vai permitir que Macron promova sem grandes obstáculos as reformas prometidas durante a campanha eleitoral, incluindo a modificação da lei trabalhista. Criada há apenas 14 meses, a legenda LREM não contava com nenhum assento no Parlamento.

EK/RC/ap/afp/dpa/lusa/rtr/ots/dpa