Melhor opção para Maduro é 'negociar transição', diz líder opositora ao Congresso dos EUA
O governo venezuelano de Nicolás Maduro está "mais fraco do que nunca" e sua "melhor opção é negociar uma transição", afirmou nesta quarta-feira a líder da oposição, María Corina Machado, perante o Congresso dos Estados Unidos.
"Quero dizer-lhes que temos uma oportunidade real para uma transição pacífica na Venezuela por meio das eleições presidenciais" que deveriam ocorrer este ano, afirmou Machado por videoconferência perante um subcomitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.
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Machado venceu nas eleições primárias da maior coalizão da oposição, a Plataforma Unitária, mas o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ratificou uma inelegibilidade que pesava sobre ela e não poderá lançar sua candidatura para as eleições.
Ela ignora a decisão da corte.
Machado avalia que o país se encontra em uma situação única em 25 anos porque "o regime está na posição mais fraca que nunca, apesar dos gritos; eles só têm como recurso a violência e o terror".
"Conseguimos unificar todas as forças opositoras" e "vamos criar todas as condições para que Maduro entenda que sua melhor opção é negociar uma transição por meio de eleições limpas, livres e competitivas nas quais o derrotaremos", enfatizou.
"Você é o futuro da Venezuela", disse a ela o congressista republicano Mario Díaz-Balart.
O democrata Joaquín Castro pediu aos venezuelanos que "não desperdicem esta oportunidade" e "não permitam que Nicolás Maduro divida seu movimento", mas afirmou que concorda com a Casa Branca de que "não se trata de uma pessoa, mas de um processo".
María Elvira Salazar explicou que os republicanos estão dispostos a colaborar com o governo democrata desde que o acordo de Barbados, alcançado entre Maduro e a oposição, seja mantido. O texto fixou as eleições presidenciais para o segundo semestre do ano.
Maduro descumpriu parte do acordo, que também consistia em suspender a inelegibilidade de todos os candidatos.
Em retaliação, Washington voltou a impor sanções ao ouro suspensas para impulsionar o processo e ameaça fazer o mesmo com a indústria petrolífera em abril se não houver mudanças.
"O momento é agora, o momento é agora", enfatizou Machado, porque os chavistas "perderam completamente sua base social". "Imaginem o que significará uma transição pacífica na Venezuela para Cuba, o que significará para a Nicarágua ou os Estados Unidos".
"Hoje pudemos constatar que não estamos sozinhos", comemorou Machado, aliviada por contar com "o apoio do governo dos Estados Unidos em uma luta que [...] não é um direito de uma pessoa, é de 30 milhões de venezuelanos".
"Temos quase 300 presos políticos. Somos o maior centro de tortura da América Latina" e há "agentes cubanos envolvidos em casos de tortura em nosso país", assegurou aos congressistas.
"Agora mesmo, enquanto falamos, há quatro membros de nossas equipes de campanha que desapareceram nas mãos das forças do regime. Não sei onde estão" desde 23 de janeiro, disse a eles.
Machado despertou admiração entre os cinco congressistas que participaram da sessão.
Para Salazar, é admirável que ela tenha permanecido na Venezuela e decidido "pagar o preço mais alto [...] enquanto outros [opositores] estão no exterior vivendo uma vida melhor".