Mostrar o dedo do meio não é crime, considera juiz no Canadá
Em julgamento motivado por briga entre vizinhos, no último dia 24 de fevereiro, juiz considerou que a ação "não gera responsabilidade criminal"
Michael Naccache, de 34 anos, morador de Beaconsfield, no subúrbio da cidade franco-canadense de Quebec, foi à Justiça após seu vizinho, Neall Epstein, de 45 anos, direcionar a ele os dois dedos do meio durante discussão. Epstein, porém foi absolvido pelo juiz da Corte de Quebec em julgamento no último dia 24 de fevereiro, diante das acusações de assédio e ameaça de morte.
Em decisão, o juiz afirma que mostrar o dedo a alguém “não gera responsabilidade criminal” e “é um direito consagrado por Deus”. Ele coloca também que, apesar de não ser civil, educado ou cavalheiresco, ofender alguém não é crime, mas “um componente integral da liberdade de expressão de cada um”.
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Na ocasião que motivou a acusação, Michael teria feito ofensas ao vizinho enquanto segurava uma furadeira elétrica, às quais Neall respondeu com “f*da-se” e direcionando-lhe os dois dedos do meio - popularmente chamados no Ceará de "cotoco", termo este considerado capacitista. A cena, capturada por câmeras de segurança, foi apresentada como evidência à corte.
Segundo o juíz, “ser dito para f*der-se não deve levar a uma ligação para o 911”, número utilizado para atendimento de emergências no território canadense. Ele ressaltou, ainda, que “o serviço de despacho têm prioridades mais importantes a serem atendidas”.
Esta não é a primeira vez que Naccache vai à Justiça com acusação contra o vizinho. Em março de 2021, Neall foi também absorvido após acusação de que teria agredido os pais de Michael.