Alemanha e França tentam reforçar relação, tensionada pela invasão à Ucrânia
Os líderes de França e Alemanha se comprometeram, neste domingo (22), a serem um motor para a Europa e continuar apoiando a Ucrânia "o tempo que for necessário", em um ato de comemoração dos 60 anos de cooperação franco-alemã.
"O futuro, tal como o passado, descansa na cooperação dos nossos dois países" como "a locomotiva de uma Europa unida", afirmou o chanceler alemão, Olaf Scholz, em visita a Paris, por ocasião do Tratado eo Eliseu.
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Neste momento, a aliança bilateral se encontra sob tensão por questões que vão da invasão russa à Ucrânia a mudanças geopolíticas de maior envergadura e complexidade.
"Continuaremos dando todo o apoio à Ucrânia, o tempo que for necessário", prometeu Scholz, ao lado do presidente Macron.
Scholz enfatizou a necessidade de "defender nosso projeto de paz europeu", em uma cerimônia na Universidade de Sorbonne, em Paris, por ocasião do 60º aniversário do tratado de reconciliação entre Alemanha e França.
Macron prometeu, por sua vez, um "apoio inabalável" de ambos os países ao povo ucraniano, "em todas as áreas". E prometeu trabalhar para que a UE seja "uma potência geopolítica por direito próprio, na defesa, no espaço e na diplomacia".
Ambos os líderes deram essas declarações após a recusa de Berlim em fornecer à Ucrânia seus tanques Leopard. Os equipamentos são solicitados, insistentemente, pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que diz ser esta a forma mais eficaz de lidar com as forças russas.
A posição de Berlim recebeu muitas críticas, a última delas, neste domingo.
O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, classificou a posição do país como "inaceitável".
"A atitude da Alemanha é inaceitável. Já se passou quase um ano desde que a guerra começou. Há pessoas inocentes morrendo todos os dias", disse o primeiro-ministro polonês à agência de notícias local PAP.
"As bombas russas estão causando estragos nas cidades ucranianas. Alvos civis estão sendo atacados, há mulheres e crianças morrendo", insistiu.
Enquanto isso, na França, várias figuras políticas pedem que Paris tome "a iniciativa", enviando um número limitado de tanques Leclerc para a Ucrânia.
Os dois líderes têm uma relação fria, com "problemas estruturais que vão além das relações pessoais", disse Jacob Ross, pesquisador do Conselho Alemão de Relações Exteriores, de Berlim.
E os atritos atingem a opinião pública: 36% dos franceses entrevistados e 39% dos alemães disseram ao instituto Ipsos esta semana que o laço bilateral está se deteriorando.
Assinado entre os líderes do Pós-Guerra, Konrad Adenauer, da Alemanha, e Charles de Gaulle, da França, o Tratado do Eliseu, de 1963, abarca desde a cooperação militar até o intercâmbio para jovens.
Desde então, França e Alemanha frequentemente estabeleceram as bases para qualquer resposta conjunta do bloco europeu, dentro de uma ampla agenda que agora inclui temas como conflito na Ucrânia, clima, energia e a competitividade da Europa diante de uma nova onda de bilionários subsídios por parte do governo americano.
Ross afirma que parte do problema está em que a França se apega a uma percepção histórica de potência soberana, com arsenal nuclear e assento no Conselho de Segurança da ONU.
Em contraste, nas últimas décadas, a Alemanha delegou aos Estados Unidos, de bom grado, as questões de defesa. Há, contudo, sinais de mudança em ambos os lados.
Do lado francês, desde a invasão da Ucrânia, o governo reviveu seu papel na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e a Alemanha investiu US$ 108 bilhões para modernizar suas Forças Armadas.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento conjunto de aeronaves e tanques de nova geração está sendo adiado, e a França não participa da iniciativa antimísseis Sky Shield, liderada pela Alemanha e composta de 14 nações.
Além das questões de defesa, os desafios comerciais e energéticos afetam, igualmente, os dois países.
Para Berlim, "as coisas estão muito complicadas, porque o modelo econômico da Alemanha está sendo testado", disse Maurice Gourdault-Montagne, ex-embaixador da França em Berlim.
Sem gás russo barato, ou sem energia nuclear, a Alemanha se viu forçada a voltar, em parte, para o carvão, já que as energias renováveis ainda não conseguem compensar essa carência.
A França, por sua vez, está se esforçando para reparar e substituir seu obsoleto parque de reatores nucleares.
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