Lula demite comandante do Exército duas semanas após ataque em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o comandante do Exército, Júlio César de Arruda, informaram fontes das Forças Armadas à AFP neste sábado, 13 dias após os ataques às sedes dos três poderes, em Brasília.
Arruda havia assumido o cargo interinamente em 30 de dezembro, dias antes do fim do mandato de Jair Bolsonaro, e sido confirmado pelo governo Lula. Ele será substituído pelo general Tomás Ribeiro Paiva, que atua como comandante militar do Sudeste em São Paulo.
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Segundo fontes da presidência, Lula, que cumpriu agenda de trabalho em Roraima durante o dia, irá se reunir com o ministro da Defesa, José Múcio, neste sábado e oficializar o anúncio posteriormente.
O general Ribeiro Paiva, 62 anos, iniciou sua carreira militar em 1975. Participou da missão do Exército brasileiro no Haiti e já serviu em Brasília, onde comandou o Batalhão da Guarda Presidencial e trabalhou como auxiliar na presidência durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.
Ribeiro Paiva chamou a atenção nesta semana ao discursar numa cerimônia militar em São Paulo, quando ressaltou que os militares "continuarão garantindo a democracia".
Júlio César de Arruda havia se reunido ontem com Lula no Palácio do Planalto, juntamente com os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa. Os comandantes não se pronunciaram após o primeiro encontro da cúpula militar com o presidente desde o ataque de 8 de janeiro, quando milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e saquearam as sedes de poderes públicos.
Após essa reunião, José Múcio disse que não vê um "envolvimento direto" do setor militar nos distúrbios, e garantiu que os comandantes concordam em que devem ser punidos os efetivos cuja participação nos atos de vandalismo for comprovada. Esta seria, segundo a imprensa local, a divergência entre Arruda e o chefe de Estado.
Após derrotar Bolsonaro nas eleições presidenciais, Lula enfrenta em sua relação com as Forças Armadas um de seus maiores desafios imediatos, segundo analistas, O presidente acredita que houve cumplicidade interna no dia da invasão ao Planalto, e manifestou preocupação com os bolsonaristas radicais em seu entorno imediato e com a presença militar excessiva na administração pública.