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Família palestina vive cercada por assentamento israelense na Cisjordânia

Ao longo dos anos, o governo israelense confiscou progressivamente lotes para permitir a instalação dos colonos que deram origem a Givon Hahadasha, um assentamento ilegal, de acordo com o Direito Internacional
09:37 | Ago. 01, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A casa da família Gharib na Cisjordânia ocupada é cercada por uma cerca de metal de oito metros de altura e, para entrar em casa, devem passar por um portão controlado pelas forças de segurança israelenses.

Desde que Israel ocupou este território após a Guerra dos Seis Dias em 1967, os assentamentos judaicos se multiplicaram ao redor da casa da família, como em uma ilha isolada no vilarejo palestino de Beit Ijza.

"Não sei quando isso vai acabar", diz Saadat Gharib. "Ninguém sabe a dor que meus filhos sofrem".

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Durante anos, a casa foi cercada por terras agrícolas, mas agora seu acesso é por um portão amarelo controlado por soldados israelenses.

"Durante esses anos, tivemos uma vida muito difícil", afirma Gharib, de 40 anos, que trabalha para a Autoridade Palestina perto de Ramallah.

Em 1978, os israelenses montaram suas caravanas perto de seu terreno de 100 dunams (dez hectares) e se ofereceram para comprar um dunam dele, o que ele recusou.

Ao longo dos anos, o governo israelense confiscou progressivamente lotes para permitir a instalação dos colonos que deram origem a Givon Hahadasha, um assentamento ilegal, de acordo com o Direito Internacional.

De sua terra original de 100 dunams, Gharib tem apenas 60. "A casa não tem mais de meio dunam, e está cercada de lado a lado", lamenta.

Para sair de casa, Gharib deve atravessar um corredor de arame farpado e passar por um pesado portão amarelo, controlado remotamente pelas forças de segurança israelenses.

De todos os processos judiciais iniciados pela família, poucos tiveram sucesso, apesar da ajuda da ONG israelense contra a colonização Yesh Din.

Em 2012, o tribunal israelense concedeu a eles em torno de 3% da terra que Gharib afirma possuir e que os colonos usam como estacionamento e parque. Mas a decisão ainda não foi aplicada.

Em 2008, a Suprema Corte revogou as medidas de segurança que exigiam a apresentação de uma carteira de identidade na frente de uma câmera para poder atravessar o portão de entrada, com horário restrito.

Agora a família pode, em tese, ir e vir quando quiser. Exceto quando as forças de segurança consideram que há algum risco, e aí podem fechar o portão à vontade.

"É uma vida difícil", diz Saadat, que acusa as forças israelenses de terem vasculhado sua casa, feito prisões e de estarem sempre do lado dos colonos em caso de conflito.

Saadat instalou uma lona azul na parte inferior da cerca para que seus filhos possam "brincar sem serem incomodados, ou com medo dos colonos", com os quais já teve alguns incidentes.

"Também não gostamos dessa cerca, ela está bem em cima de nós", diz Avi Zipory, um dos primeiros israelenses a fundar o assentamento.

Segundo ele, a família palestina vive em terras judaicas, e a colônia de 1.000 habitantes recebeu autorização da justiça israelense. Ele afirma que não quer destruir a casa dos Gharib, mas lamenta que "não aceitem um plano alternativo, compensação financeira, outro terreno".

"Não sei quando tudo isso vai acabar", suspira Saadat Gharib, que teme por seus filhos.

Agora, ele não tem acesso às suas oliveiras que estão do outro lado do assentamento, então depende da vontade do exército israelense para cultivá-las.

Mas garante que essa situação de pesadelo não o fará desistir de suas terras.

"Esta é a nossa terra, que herdei do meu pai, e ele herdou do meu avô. Não a venderia nem por todo dinheiro do mundo", diz.

 

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